GISELE NARRANDO:
Eu estava ali, pensando em como perguntar, em como abordar o assunto, mas antes que eu pudesse balbuciar qualquer coisa, Duda se adiantou, salvando-me do constrangimento.
— Eu e a Gisa queremos sair essa noite para ir a uma balada, e queríamos saber se você se importa de ficar com o Rodriguinho pra gente se divertir, mami — Duda falou de forma tão direta que senti minhas bochechas queimarem instantaneamente.
Madah olhou para nós duas com uma expressão calma, mas levemente divertida, antes de responder.
— Claro que não, podem ir. Rodriguinho está ficando super de boa comigo e com o Rafa — disse ela com um sorriso, fechando a porta da geladeira.
— Madah, eu não quero incomodar vocês. Já falei para a Duda que não acho legal vocês ficarem com o Rodriguinho só para eu sair — falei, ainda sem jeito, mas com sinceridade. Não queria parecer que estava me aproveitando da hospitalidade deles.
Madah deu uma risadinha curta e acenou com a mão, como se eu estivesse exagerando.
— Ih, para com isso, Gisa. Já te disse, não é incômodo nenhum cuidar do nosso neto. Deixa de bobeira e vai curtir um pouco com a Duda. Vocês têm que aproveitar que são jovens e solteiras. Pode ir, chica — ela piscou para mim com um sorriso acolhedor, antes de sair da cozinha, deixando um rastro de confiança.
Eu suspirei, aliviada, mas ainda um pouco envergonhada. Duda me olhou com um sorriso triunfante, tomando mais um gole da sua bebida.
— Eu te disse que a minha mãe ia topar. Pra ela é um presente você deixar o Rodriguinho dormir com eles — Duda falou, animada.
— Ah, Duda, eu não estou acostumada com isso — confessei, terminando de comer e limpando a boca com um guardanapo.
— Então se acostume, honey, porque você encontrou uma família agora — Duda sorriu para mim, levantando seu copo como se brindasse àquela ideia, antes de tomar o último gole da sua bebida.
Depois do almoço, fui para a beira da piscina, me sentindo mais tranquila. O sol estava forte, mas a brisa era agradável, e eu me sentei segurando Rodriguinho em meus pés o molhando na água, balançando-o de leve. Ele riu quando a água da piscina respingou em sua barriguinha, e Raphael, que estava dentro da água, não perdeu a oportunidade.
— Eu vou ensinar esse menino a nadar antes que vocês percebam — ele disse com um sorriso confiante, estendendo os braços para Rodriguinho.
Rodriguinho se remexeu nas minhas pernas, como se soubesse que o avô estava falando dele. Eu ri, ajeitando o menino em minhas pernas.
— Não duvido, ele adora a água — respondi, enquanto Raphael continuava brincando com ele com um brilho nos olhos.
Depois de um tempo ao lado da piscina, vendo Raphael brincar com o Rodriguinho na água, percebi que era hora de tirá-lo dali. Ele estava rindo e balbuciando algumas palavras, mas o vento começou a ficar mais gelado. Segurei ele com cuidado nas pernas e o levantei devagar, sentindo aquele cheirinho de cloro que me fazia sorrir. Era bom ver meu filho tão feliz, e Raphael realmente parecia determinado a ensiná-lo a nadar.
— Já está bom por hoje, hein, campeão? — eu disse, sorrindo, enquanto Raphael ria e se despedia dele com uma brincadeira.
— Quando ele crescer, Gisa, vai ser um nadador profissional, hein! — Raphael brincou, acenando enquanto eu levava Rodriguinho para dentro.
Subi com ele no colo enrolado na toalha e fui direto para o banheiro. Preparei um banho morno e, enquanto a água caía, comecei a tirar o maiôzinho dele, que já estava todo encharcado. Ele estava com bastante protetor solar, e sorri com o cuidado que os avós tinham com ele.
Rodriguinho balbuciava, rindo, com os olhos fixos em mim, como se estivesse me contando sua aventura pela primeira vez em uma piscina.
— Você é um verdadeiro peixinho, hein? Está se divertindo meu amor? — comentei, enquanto lavava com cuidado a cabeça dele.
Depois do banho, coloquei uma fralda nova e uma roupinha confortável. Ele parecia estar relaxando, e eu sabia que logo ia tirar um cochilo.
De volta à sala, onde a família estava reunida, me sentei ao lado de Duda e Madah. Todos já haviam trocado de roupa, e o clima estava leve, tranquilo. Enquanto Rodriguinho mordiscava algumas frutinhas, senti uma onda de gratidão. Raphael, Madah e Duda tratavam a gente com tanto carinho, especialmente meu filho. Mesmo quando se afastavam para atender os telefones e ficavam mais sérios por causa do trabalho, o carinho voltava assim que se aproximavam novamente. Eles eram pessoas de negócios, claro, mas estavam sempre presentes e atentos quando estavam por perto.


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