Narrado por Khaled
O dia estava absurdamente calmo para o que eu já sabia que estava por vir.
O céu em Dubai estava limpo, tingido de azul claro, e a brisa do mar entrava pela janela aberta do meu escritório. Eu estava sentado à mesa, revisando contratos com importadores da Europa, quando ouvi batidas firmes e contidas na porta.
— Pode entrar. — disse, sem tirar os olhos do papel.
Youssef surgiu, com a mesma expressão sóbria que sempre trazia quando algo fugia do comum.
— Notícias do armazém, senhor.
Minha mão parou no meio da página.
Levantei os olhos lentamente, deixando os dedos soltarem a caneta.
— Continue.
— A venda da prisioneira... Natália Almeida... foi finalizada.
Apenas assenti com a cabeça, esperando que ele completasse.
— O comprador foi… Hamzah Al-Farouk.
Um silêncio pesado se instalou.
Soltei uma risada seca, sem qualquer traço de humor.
— Hamzah... Hamzah Al-Farouk. — repeti o nome em voz alta, como se estivesse provando o sabor.
Dei um passo até o bar no canto da sala. Peguei meu copo de cristal preferido e derramei duas pedras de gelo antes de completar com uma dose generosa do whisky escocês mais antigo da estante. Dei um gole, saboreando devagar.
— Você tem noção do tipo de homem que é Hamzah, Youssef?
— Temido. Imprevisível. Cruel. — ele respondeu sem hesitar.
Assenti com um leve sorriso nos lábios.
— Ele comanda aquele reduto no norte da Arábia Saudita, não é?
— Sim. Com mão de ferro. Até os sheiks mais poderosos evitam entrar em negociações diretas com ele.
— Então me diga, Youssef… existe destino mais irônico para uma mulher manipuladora e traiçoeira do que cair nas mãos de alguém que odeia o jogo da sedução?
Youssef saiu em silêncio.
Fiquei sozinho com meus pensamentos.
O silêncio era confortável.
Mais ainda quando eu sabia que meus inimigos estavam pagando… não com a morte. Mas com uma vida pior que ela.
Hamzah vai desfazer cada traço de arrogância da Natália.
E, talvez, só talvez… ela finalmente entenda o que significa ser usada.
Sorri.
O destino, quando quer fazer justiça, não hesita em sujar as mãos.
E eu?
Eu só sou o intermediário.

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