Narrado por Alberto Almeida
Eu sempre achei que tinha tudo sob controle.
Por mais que tivesse tomado decisões questionáveis… sempre acreditei que fazia parte do jogo. Que no fim, o dinheiro resolvia tudo. Sempre resolveu.
Mas quando o telefone tocou naquela madrugada, e a voz do contato estrangeiro disse:
— Sua filha Bianca será leiloada esta noite...
…alguma coisa em mim quebrou.
Era real.
Era sério.
E, pior, era tarde demais para impedir o que eu mesmo ajudei a começar.
Peguei o primeiro voo para Dubai.
Nem pensei. Nem dormi. Nem comi.
Só me vi no avião, com a garganta fechada e a mente acelerada.
A imagem das minhas filhas me consumia como ácido.
Bianca.
Natália.
Que tipo de pai vende uma filha?
Que tipo de verme... sacrifica o próprio sangue por contratos?
Mas eu vendi.
E agora estava correndo contra o tempo para salvar uma.
Ao chegar, fui direto para o endereço que me passaram. Um galpão industrial afastado da cidade, cercado por areia, tapumes altos e guardas armados.
O tipo de lugar onde vidas são precificadas… e descartadas.
Sabia que não teria tempo de entrar sozinho.
Então fiz o que nunca achei que faria: fui até a polícia local.
— Um leilão clandestino está acontecendo agora. — falei ao delegado, ofegante. — Minha filha está lá dentro. Vocês precisam agir!
No começo, fui ignorado. Até rir da minha cara eles riram.
Mas quando mostrei os comprovantes da ligação, os prints que recebi, e ofereci o restante da fortuna que ainda tinha… eles se mexeram.
A invasão foi rápida.
Viaturas sem sirene, agentes armados, helicóptero sobrevoando.
Quando começaram o cerco, o pânico explodiu dentro do galpão.
Homens correram. Disparos ecoaram.
Mulheres gritaram.
E eu fiquei do lado de fora, com os olhos fixos na entrada… esperando ver o rosto dela.
E então…
Fechei os olhos com força.
Eu conhecia o nome.
Já tinha ouvido em uma das reuniões com os contatos de Khaled.
Um homem poderoso… e sádico.
Minha filha tinha sido entregue a ele.
Por minha culpa.
— Onde ele está agora? — perguntei aos policiais.
— Sumiu. — respondeu um dos agentes. — Fizeram o leilão rápido, ele embarcou no jatinho particular na mesma madrugada. Provavelmente já atravessou fronteiras.
Senti o gosto de sangue na boca.
Mordi os lábios para não gritar.
— Eu vou encontrar ela. — falei. — Nem que eu tenha que atravessar o deserto a pé. Eu vou trazer a Natália de volta.
Bianca me abraçou com mais força, e pela primeira vez… percebi que ela não era mais uma menina mimada.
Ela tinha visto o inferno.
E saiu dele… marcada.
E eu?
Eu estava só começando a pagar.

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