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Vendida ao Sheik romance Capítulo 102

Narrado por Alberto Almeida

Eu sempre achei que tinha tudo sob controle.

Por mais que tivesse tomado decisões questionáveis… sempre acreditei que fazia parte do jogo. Que no fim, o dinheiro resolvia tudo. Sempre resolveu.

Mas quando o telefone tocou naquela madrugada, e a voz do contato estrangeiro disse:

— Sua filha Bianca será leiloada esta noite...

…alguma coisa em mim quebrou.

Era real.

Era sério.

E, pior, era tarde demais para impedir o que eu mesmo ajudei a começar.

Peguei o primeiro voo para Dubai.

Nem pensei. Nem dormi. Nem comi.

Só me vi no avião, com a garganta fechada e a mente acelerada.

A imagem das minhas filhas me consumia como ácido.

Bianca.

Natália.

Que tipo de pai vende uma filha?

Que tipo de verme... sacrifica o próprio sangue por contratos?

Mas eu vendi.

E agora estava correndo contra o tempo para salvar uma.

Ao chegar, fui direto para o endereço que me passaram. Um galpão industrial afastado da cidade, cercado por areia, tapumes altos e guardas armados.

O tipo de lugar onde vidas são precificadas… e descartadas.

Sabia que não teria tempo de entrar sozinho.

Então fiz o que nunca achei que faria: fui até a polícia local.

— Um leilão clandestino está acontecendo agora. — falei ao delegado, ofegante. — Minha filha está lá dentro. Vocês precisam agir!

No começo, fui ignorado. Até rir da minha cara eles riram.

Mas quando mostrei os comprovantes da ligação, os prints que recebi, e ofereci o restante da fortuna que ainda tinha… eles se mexeram.

A invasão foi rápida.

Viaturas sem sirene, agentes armados, helicóptero sobrevoando.

Quando começaram o cerco, o pânico explodiu dentro do galpão.

Homens correram. Disparos ecoaram.

Mulheres gritaram.

E eu fiquei do lado de fora, com os olhos fixos na entrada… esperando ver o rosto dela.

E então…

Fechei os olhos com força.

Eu conhecia o nome.

Já tinha ouvido em uma das reuniões com os contatos de Khaled.

Um homem poderoso… e sádico.

Minha filha tinha sido entregue a ele.

Por minha culpa.

— Onde ele está agora? — perguntei aos policiais.

— Sumiu. — respondeu um dos agentes. — Fizeram o leilão rápido, ele embarcou no jatinho particular na mesma madrugada. Provavelmente já atravessou fronteiras.

Senti o gosto de sangue na boca.

Mordi os lábios para não gritar.

— Eu vou encontrar ela. — falei. — Nem que eu tenha que atravessar o deserto a pé. Eu vou trazer a Natália de volta.

Bianca me abraçou com mais força, e pela primeira vez… percebi que ela não era mais uma menina mimada.

Ela tinha visto o inferno.

E saiu dele… marcada.

E eu?

Eu estava só começando a pagar.

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