Narrado por Khaled
A calmaria sempre me incomoda.
Ela engana. Te faz baixar a guarda.
Mas eu nunca caí nesse truque.
Estava no meu escritório, revisando uma proposta de expansão de um terminal logístico no norte de Oman, quando Youssef entrou sem pedir permissão.
Olhei para ele por cima dos óculos, sem me mover.
O rosto dele dizia tudo.
— Fala. — ordenei, fechando a pasta devagar.
Ele não enrolou.
— O leilão foi invadido. A polícia local agiu com mandado. Os compradores fugiram. Alguns foram presos. Bianca Almeida foi retirada do local viva.
O silêncio que se seguiu foi mais ensurdecedor do que um tiro.
Senti os dedos das mãos formigarem.
Não de medo.
De ódio.
— Como isso aconteceu? — perguntei, ainda calmo. Calmo demais.
— O pai dela. Alberto. Ele chegou ontem em Dubai, foi direto ao quartel policial com provas de envolvimento do galpão com tráfico humano. Usou dinheiro. Usou influência. Disse que tinha localização precisa da filha. Fez a operação acontecer.
— Ele usou a polícia… contra mim. — murmurei.
Me levantei da cadeira. Caminhei até o bar, respirei fundo, abri a gaveta e tirei meu telefone pessoal.
Desbloqueei a tela, abri a pasta: "A. Almeida – Dossiê".
— Ele tem contas no Catar, propriedades em Lisboa, três empresas em nome de laranjas… e ainda acha que pode me desafiar. — murmurei.
— O senhor deseja que iniciemos o congelamento? — Youssef perguntou.
— Não só o congelamento. — minha voz já não tinha nenhuma paciência. — Eu quero ele respirando areia. Quero todos os fundos bloqueados, empresas interditadas, contratos quebrados. Um por um. Até ele não conseguir pagar o táxi pra voltar ao hotel.
— E Bianca?

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