Narrado por Natália Almeida
Quando entrei naquele quarto pela primeira vez, parecia um palácio.
A cama era imensa, cheia de almofadas bordadas, lençóis limpos, cortinas pesadas nas janelas. Um abajur de cristal jogava luz dourada sobre as paredes. Tudo parecia novo, caro, bonito.
Mas aquilo não era um quarto.
Era uma cela.
E eu...
Era a prisioneira de luxo.
Fazia três dias que eu estava ali.
Três noites.
Três silêncios que me engoliram inteira.
Na primeira noite, ele me mandou tirar a roupa e deitar na cama.
Na segunda, ele me forçou a sorrir.
Na terceira...
Eu parei de contar.
Hamzah.
Era esse o nome dele.
Velho, gordo, cheiro forte de suor e perfume enjoativo. Ele sempre sorria quando me olhava. Mas não era um sorriso de quem gosta — era de quem venceu. De quem comprou. De quem acha que tem direito.
Hoje, ele me chamou pelo interfone:
— Vem. Agora.
Eu sabia o que aquilo queria dizer.
Levantei do sofá com as pernas bambas. Meu estômago já se revirava antes mesmo de chegar no quarto dele. Minhas mãos estavam geladas. Eu nem sentia os pés. Cada passo era uma condenação.
Quando entrei, ele já estava nu na cama.
— Tire tudo.
— Fique de joelhos.
— Quero ver você se esforçar, garota brasileira.
As ordens vinham uma atrás da outra, como chicotadas que não marcam a pele, mas rasgam a alma.
Me ajoelhei.
O chão estava gelado.
E então ele pegou minha cabeça com as duas mãos e disse:
— Agora mostre que vale o que paguei.
Eu queria morrer.
Mas continuei ali.
Fazendo o que ele mandava.
Porque se não fizesse… ele fazia pior.
Quando acabou, ele não disse nada.
Só se virou, ficou de costas e mandou:
— Agora, venha.
— Fique de quatro.
— Quero você assim.
— Como cadelas devem ficar.
Eu tremia.
— Anda! — ele gritou.
E eu obedeci.
Enquanto ele me invadia, fechei os olhos.
Não chorei alto.
Não reagi.
Não me mexi.
Só deixei uma lágrima escorrer.
Depois outra.
E outra.
Até o travesseiro estar molhado e minha boca seca.
Ele gemeu. Alto.
Como se aquilo fosse prazeroso.
Como se aquilo fosse amor.

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