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Vendida ao Sheik romance Capítulo 105

Narrado por Natália Almeida

A maçaneta estava solta.

Pela primeira vez, a porta não estalou.

E pela primeira vez desde que fui jogada aqui, eu senti esperança.

O corredor estava silencioso.

Nenhum segurança. Nenhum som de passos.

Só o zumbido baixo do ar-condicionado e o cheiro de incenso queimando em algum lugar distante.

O palácio — ou melhor, a prisão de ouro — estava dormindo.

E eu?

Eu estava acordada.

Com o coração acelerado e uma coragem que não sabia de onde vinha.

Não pensei duas vezes.

Saí descalça, com o robe fino de seda que ele me dava para andar dentro dos quartos.

Nada mais.

A cada passo, sentia a pele arrepiar.

Era como andar no meio de uma floresta cheia de lobos — cega.

Mas se eu não tentasse agora, eu ia morrer ali dentro.

Desci as escadas com cuidado, usando as pontas dos pés.

Na segunda curva do corredor, vi uma porta entreaberta.

Parecia um escritório.

Entrei.

Tinha um telefone.

Uma estante.

E uma janela.

A janela.

Fui até ela. Forcei a tranca.

Estava emperrada.

Mas era ali.

Ali era minha chance.

Empurrei com o ombro, com os braços, com o desespero de quem não tem mais nada a perder.

O barulho foi mínimo.

Mas bastou.

A porta atrás de mim se abriu.

— Onde você pensa que vai?

A voz dele.

Grave.

Lenta.

Assustadoramente calma.

Me virei.

Hamzah estava parado na porta. De roupão escuro, os olhos semicerrados, a boca num sorriso vazio.

Eu recuei.

— Eu… eu me perdi. Queria… só… — minha voz falhou. Eu não tinha desculpa.

— Você ia fugir.

Não tocou com desejo.

Ele me empurrou para o canto do quarto, se deitou no tapete entre minhas pernas.

Deitou ali.

Com a cabeça encostada entre minhas coxas, lambeu minha intimidade.

E disse:

— Vai ficar assim.

— Quietinha.

— Como um bom tapete.

Fiquei horas ali. Sem conseguir me mexer.

Minha cabeça doía.

O coração, então, nem batia mais — só fazia eco.

Quando ele adormeceu, o ronco pesado vibrando no meu corpo, eu chorei.

Chorei como nunca.

Chorei por ter acreditado que conseguiria escapar.

Por ter me agarrado em esperança.

Por ainda tentar ser humana num lugar onde gente não vale nada.

E a pior parte?

A pior parte foi perceber que já estava começando a aceitar o chão como meu lugar.

Porque ali…

Ali, a liberdade tinha preço.

E o meu corpo era a moeda.

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