Narrado em terceira pessoa
O sol da manhã mal aquecia o jardim da frente. Khaled e Lara tomavam café em silêncio na varanda, o cheiro de cardamomo e pão fresco preenchendo o ar. Ela estava quieta, com os olhos levemente inchados de sono, e ele a observava com a mesma paciência felina de sempre.
Tudo parecia calmo.
Até que a calmaria foi quebrada pelo som de vozes se exaltando do lado de fora dos portões.
Gritos.
Um deles... familiar.
— NATÁLIA! ME DIZ ONDE MINHA FILHA ESTÁ, KHALED! SEU MALDITO!
Lara se levantou bruscamente. O corpo congelou por um segundo. Ela reconheceria aquela voz em qualquer lugar.
— É o meu pai.
Khaled ergueu os olhos lentamente. Bebeu mais um gole de café, impassível.
— Ele não vai entrar — disse, seco.
— Deixa ele entrar — insistiu Lara, firme. — Quero ouvir o que ele tem a dizer.
Ele não respondeu de imediato. Cruzou os braços e observou os seguranças tentando conter Alberto do lado de fora. O homem gritava, suado, desesperado. A dignidade havia ficado no caminho.
Por fim, Khaled assentiu com a cabeça. Um gesto.
Os portões se abriram.
Dois seguranças acompanharam Alberto até o jardim. Ele vinha com as roupas amarrotadas, o rosto tomado por olheiras e um desespero que quase era visível. Assim que viu Lara, caiu de joelhos.
— Por favor… por favor, minha filha… me diz onde a Natália está. Eu te imploro!
Lara se manteve parada. O corpo ereto. O rosto sem reação.
Khaled cruzou as pernas, como quem assiste um espetáculo anunciado.
— A Natália? — ele disse, a voz baixa, cruel. — Está com um homem. Um porco gordo que pagou bem. Deve estar aproveitando cada segundo.
Alberto gritou. Um grito doído, rasgado de dentro do peito.
— Seu desgraçado! Eu vou te matar!
Se lançou pra cima de Khaled.


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