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Vendida ao Sheik romance Capítulo 108

Narrado por Khaled

O jardim lateral da casa estava silencioso, com exceção dos passos dos seguranças trocando turno e o som quase imperceptível do vento passando pelas folhas das palmeiras. Desde a última tentativa de invasão, coloquei um sistema de vigilância reforçado em cada canto. Agora, até o som de uma respiração mais forte ativava os sensores. Eu não tolerava mais falhas.

Estava de pé, observando a troca de guarda, braços cruzados, mentalmente calculando o que ainda precisava ser feito. Quando ouvi os passos atrás de mim, não precisei olhar.

— Layla — disse, ainda sem virar. — Imaginei que você fosse me procurar.

Ela caminhou até parar ao meu lado. Sutil. Reservada. A esposa de Rafiq sempre teve um jeito sereno, mas eu sabia que sob aquele véu de tranquilidade havia uma mente afiada.

— Khaled — ela começou, com a voz firme e suave —, vim pedir algo.

Dei um meio sorriso. Nenhuma frase que começa assim termina de um jeito que me agrade.

— Estou ouvindo.

— Quero levar Lara para sair. Só nós duas. Com os seguranças, claro. Nada ousado. Um passeio, talvez uma cafeteria ou livraria. A casa está... pesada demais para ela. Você sente, não sente?

Fechei os olhos por um segundo. Eu sentia. Era impossível não sentir. Lara vinha se mostrando mais receptiva, mais presente... mas ainda se retraía. Ainda dormia virada pro lado oposto, com as mãos sobre a barriga como se protegê-la fosse sua única missão.

— Por que agora?

— Porque ela está presa entre mundos. Porque não pertence mais ao Brasil, mas ainda não sente que pertence aqui. Ela precisa respirar. E, se me permite dizer, ela precisa sair com alguém que não a veja como posse, ou missão, ou esposa. Precisa sair com alguém que a veja como mulher. Como pessoa.

As palavras dela me cortaram de forma inesperada. Eu não me via como um carcereiro. Mas ao olhar para trás e rever tudo que fiz — esconder segredos, afastar a família dela, controlar cada passo — percebi que não era muito diferente disso.

— Onde querem ir?

— Eu pensei em algo simples. Um café reservado. Talvez uma boutique. Nada que chame atenção.

Eu observava o rosto dela. Sereno. Calmo. Mas eu não confiava em rostos calmos demais. A paz é uma arma disfarçada.

— E se alguém tentar se aproximar?

— Os seguranças vão agir.

— E se você tentar influenciar ela?

Layla sorriu de lado, como se já esperasse a pergunta.

— Eu não sou sua inimiga, Khaled. Eu admiro a forma como você cuida dela. Mesmo com todas as suas sombras, você ama. E isso, num mundo como o nosso, é quase raro demais pra ser verdadeiro.

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