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Vendida ao Sheik romance Capítulo 111

Narrado por Lara

Acordei com os dedos dele entrelaçados aos meus. A luz que entrava pelas cortinas dançava nos móveis dourados do quarto, e pela primeira vez em muito tempo, não senti pressa para sair da cama.

Khaled já estava acordado, me observando com aquele olhar morno, quase cúmplice. Sorriu quando viu que abri os olhos.

— Bom dia, minha mulher.

Me espreguicei, deixando escapar um sorriso.

— Bom dia, meu marido possessivo.

Ele riu.

— Eu sou. Mas estou tentando não ser tanto.

— Você tem feito um bom trabalho. — Beijei a mão dele. — E hoje?

— Hoje... — Ele olhou para o relógio. — A médica ligou cedo. Quer fazer um ultrassom. Dizer que é de rotina, mas pelo que ela falou, o bebê já está grande o bastante pra ouvirmos o coração dele.

Minha respiração falhou por um segundo.

— Hoje?

— Agora de manhã. Eu mandei preparar tudo.

Sentei na cama, sentindo um frio na barriga. Um tipo novo de ansiedade. Não era medo. Era uma mistura de nervosismo com amor, com curiosidade. Eu ia ouvir o coração do meu filho. Ou da minha filha.

— Tá bom. Só vou me arrumar.

Khaled me segurou pela cintura e me puxou de volta pra cama.

— Espera. Só um pouco mais.

— Se a gente esperar mais, a médica vai achar que você sequestrou a mãe do bebê.

— Ué… não tá errada.

Ri alto, e ele riu comigo. Então me soltou com um beijo na testa.

— Vai. Mas usa aquele vestido azul. Você fica linda nele.

Levantei ainda sorrindo, com o peito cheio de uma alegria nova. Como se a nossa história, depois de tanto peso, estivesse ganhando outras cores.

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Me arrumei com carinho, maquiagem leve, cabelos soltos, perfume suave. O vestido azul era fluido, com tecido que acompanhava meus movimentos. Quando desci, Khaled já estava pronto. Camisa branca, calça bege clara, e aquele perfume amadeirado que grudava na pele dele como uma marca registrada.

Entramos no carro. O caminho foi silencioso no começo, mas não era um silêncio pesado. Era confortável. De vez em quando ele segurava minha mão, olhava pra mim com ternura. Eu estava nervosa, ele sabia.

Chegamos à clínica. Particular, discreta, o tipo de lugar que não se encontra no G****e. Khaled apertou minha mão quando entramos no consultório. A médica era uma mulher simpática, de fala mansa, com olhos experientes que me fizeram relaxar.

— Pronta para ouvir um pequeno coração bater? — ela perguntou, enquanto preparava o gel.

Assenti com os olhos marejados.

Deitei na maca, levantei o vestido, senti o gel gelado na barriga. Khaled ficou de pé ao meu lado, segurando minha mão.

Então veio o som.

Tum-tum, tum-tum, tum-tum.

Rápido, forte, como se o bebê estivesse dizendo “eu estou aqui”.

Meu queixo tremeu. As lágrimas desceram sem controle.

— Esse... é o nosso bebê? — perguntei, quase em sussurro.

Khaled também estava com os olhos marejados. Ele apertou minha mão com mais força.

— É. E ele tem o coração mais forte que eu já ouvi.

A médica sorriu.

— Batimentos ótimos. Está tudo perfeito com ele.

Gravei aquele som na alma. Era o som mais bonito que eu já tinha escutado. Era nosso.

— Olha isso — mostrei uma chupeta dourada. — É muito chique ou muito brega?

— Se você gostar, é chique.

— A gente não sabe nem o sexo do bebê ainda, Khaled. E você vai me deixar comprar tudo isso?

— Se você quiser comprar um camelo pra ele montar quando nascer, a gente compra.

Ri, e ele riu também.

— Você tá ficando muito bonzinho — brinquei.

— Não. Eu só tô amando você demais pra ser idiota.

Fiquei em silêncio. Olhei pra ele. E naquele olhar, entendi tudo.

Ele era meu. De verdade. E o nosso bebê seria amado por esse homem de todas as formas.

Saímos de lá com sacolas, risadas e um sorvete de pistache nas mãos.

— Ainda quer mais alguma coisa? — ele perguntou.

— Quero. Uma vida tranquila.

Ele me puxou para perto, me abraçou no meio do corredor luxuoso do shopping, sem se importar com quem visse.

— Eu vou te dar isso, Lara. Um lugar seguro. Um mundo em que você não precise se proteger de mim.

— Não preciso mais, Khaled. Eu só preciso… de você.

Ele me beijou, como se o mundo tivesse parado.

E naquele beijo, eu soube: a guerra estava acabando.

E a nossa paz… tinha nome. Malik. Ou Noor.

Mas acima de tudo, tinha um coração. Batendo entre nós.

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