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Vendida ao Sheik romance Capítulo 112

Narrado por Natália

O cheiro do quarto me dava ânsia. Era uma mistura sufocante de perfume masculino barato, gordura impregnada e uísque velho. As janelas estavam sempre fechadas. As cortinas pesadas abafavam a luz, e o ar condicionado fazia um barulho irritante que me lembrava que ali dentro o tempo passava diferente. Mais lento. Mais cruel.

No centro do quarto, a cama era um altar de humilhação. Lençóis de seda cor marfim, como se tentassem disfarçar a podridão que cobriam todas as noites. O espelho no teto era a cereja do inferno — eu via meu próprio corpo sendo reduzido a um objeto refletido, uma mercadoria comprada. Uma mulher sem nome, sem passado, sem valor.

Mas agora, eu estava decidida.

Eu não ia mais chorar.

Não ia mais pedir socorro.

Não ia mais esperar que alguém viesse me salvar.

Se eu quisesse sair viva daquele lugar — ou pelo menos deixar meu rastro gravado em sangue —, eu teria que me tornar algo ainda mais perigoso que o homem que me comprou.

Hamzah.

Um nome que já me causava nojo. Ele era exatamente o que eu imaginava quando pensava nos piores compradores daquele leilão maldito. Gordo, suado, com uma pança que mal cabia no roupão dourado de seda que insistia em usar até mesmo quando sujava de comida. Os dentes amarelos, o hálito quente e pesado. As mãos pegajosas que me tocavam como se eu fosse uma boneca inflável.

Ele me usava como se eu não fosse gente. E eu deixava.

Até agora.

— Hamzah... — minha voz saiu baixa, doce, suave o suficiente pra chamar a atenção dele sem parecer forçada.

Ele virou o rosto pra mim, de onde estava sentado, bebendo uísque com os pés apoiados na mesa de centro.

— O que foi, florzinha?

Flor. Ele me chamava assim desde o primeiro dia. Uma ironia nojenta. Eu, a flor dele. Uma flor que ele esmagava toda noite.

— Posso te fazer uma pergunta?

— Depende — ele riu, mostrando os dentes manchados de nicotina. — É sobre sexo?

Fingi rir. Me levantei da cama, enrolando o roupão no corpo como se fosse pudica. Me aproximei, sentando no braço da poltrona onde ele se afundava como um trono grotesco.

— Você conhece Khaled, certo?

O nome fez ele levantar uma sobrancelha.

— Todo mundo conhece Khaled.

— Mas você já pensou... — deslizei o dedo pelo ombro dele, traçando um caminho sutil até o peito cabeludo que escapava do roupão — em como seria ser maior do que ele?

Hamzah parou de beber. Me olhou com uma desconfiança que durou só dois segundos antes de ser engolida pelo ego.

— Está dizendo que eu... poderia destruir Khaled?

— Estou dizendo que você é mais esperto do que ele.

— Mais esperto? — ele bufou. — Khaled é um tirano. Um filho da mãe que cresceu sob proteção de toda a velha guarda. O que ele tem que eu não tenho?

— Poder? Você também tem. Dinheiro? Você tem até mais. Mas ele tem uma fraqueza…

Aproximei meus lábios do ouvido dele.

— Lara.

A palavra fez os olhos dele brilharem. Um brilho sujo, de interesse e malícia.

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