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Vendida ao Sheik romance Capítulo 113

Narrado por Natália

Dizem que o inferno é quente, cheio de fogo e gritos. Mas eu descobri que ele tem ar-condicionado, cheiro de incenso caro e tapetes de ouro bordado.

O inferno tem nome.

Hamzah.

E hoje... o inferno recebeu visita.

Eu ouvi os passos antes de qualquer coisa. Pesados, lentos, com o arrastar típico de alguém acostumado a ser servido, nunca a correr. Me aproximei da escada central com cuidado. Me escondi atrás da cortina do segundo andar. De onde eu estava, via o salão inteiro, sem ser vista.

E lá estava ele.

O famoso Sheikh.

Velho.

Gordo.

Rico.

Asqueroso.

E com os olhos brilhando como os de um homem que nunca teve que ouvir a palavra “não”.

Ele sentou, alargou as pernas e estalou os dedos. Hamzah, sempre sorridente demais, serviu a bebida com a postura de um cão lambendo o próprio rabo.

— Estou aqui, Hamzah. Agora me diga... o que você tem a me oferecer que valha meu tempo? — disse o velho, com voz grossa e ranhenta.

Meu nome foi citado minutos depois.

Não como mulher.

Não como pessoa.

Como moeda.

— Tenho algo que talvez lhe interesse, Sheikh — Hamzah sorriu e fez um gesto com o queixo, olhando discretamente para a escada, como se soubesse que eu estava ali. — Uma joia rara. Loira, jovem, ardente... cheia de ódio pela esposa de Khaled.

Me segurei para não rir.

Ardente? Eu sou um incêndio inteiro.

Ódio? Eu sou feita disso.

— Estou ouvindo — o Sheikh respondeu, inclinando o corpo com esforço.

— Natália. Irmã da atual esposa de Khaled.

E mais do que isso: ela quer ver a queda dele tanto quanto nós.

Os olhos dele brilharam como os de um predador.

— E o que ela está disposta a fazer?

Hamzah não respondeu de imediato. Bebeu um gole do copo. Depois me chamou, como se fosse um jogo.

— Natália! Traga um chá para nosso convidado. Mas sirva... no quarto dele.

Meu estômago revirou. Eu sabia o que isso significava.

— Sem roupa — completou, ainda com o sorriso calmo.

Por um segundo, minha respiração parou. Não porque eu estava com medo. Mas porque eu sabia que era agora. Era essa a chance. Essa a porta. E só passaria uma vez.

Desci.

— Você é mesmo tudo isso que prometeram — ele disse.

Me aproximei, coloquei a bandeja na mesa e servi o chá. Sem tremer. Sem hesitar.

— Eu sirvo como quiser. Mas quero algo em troca — falei.

Ele arqueou a sobrancelha.

— E o que quer, menina?

— Quero que Khaled pague por tudo. Quero ele arruinado. Humilhado. Quero ver a mulher dele implorar de joelhos.

— E está disposta a fazer o que for necessário?

— Já estou fazendo, não estou?

Ele riu, aquele riso asqueroso de quem acha que ganhou.

Mas ele não percebeu: eu é que estou ganhando.

Cada toque que ele der, cada comando que ele disser, cada vez que pensar que me controla… eu vou estar mais perto de destruir a Lara.

Porque não é sobre prazer.

É sobre poder.

E eu posso dar o que eles querem — desde que eles me deem o que eu quero.

Queime devagar, irmãzinha.

Porque eu vou assistir.

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