Narrado por Natália
Dizem que o inferno é quente, cheio de fogo e gritos. Mas eu descobri que ele tem ar-condicionado, cheiro de incenso caro e tapetes de ouro bordado.
O inferno tem nome.
Hamzah.
E hoje... o inferno recebeu visita.
Eu ouvi os passos antes de qualquer coisa. Pesados, lentos, com o arrastar típico de alguém acostumado a ser servido, nunca a correr. Me aproximei da escada central com cuidado. Me escondi atrás da cortina do segundo andar. De onde eu estava, via o salão inteiro, sem ser vista.
E lá estava ele.
O famoso Sheikh.
Velho.
Gordo.
Rico.
Asqueroso.
E com os olhos brilhando como os de um homem que nunca teve que ouvir a palavra “não”.
Ele sentou, alargou as pernas e estalou os dedos. Hamzah, sempre sorridente demais, serviu a bebida com a postura de um cão lambendo o próprio rabo.
— Estou aqui, Hamzah. Agora me diga... o que você tem a me oferecer que valha meu tempo? — disse o velho, com voz grossa e ranhenta.
Meu nome foi citado minutos depois.
Não como mulher.
Não como pessoa.
Como moeda.
— Tenho algo que talvez lhe interesse, Sheikh — Hamzah sorriu e fez um gesto com o queixo, olhando discretamente para a escada, como se soubesse que eu estava ali. — Uma joia rara. Loira, jovem, ardente... cheia de ódio pela esposa de Khaled.
Me segurei para não rir.
Ardente? Eu sou um incêndio inteiro.
Ódio? Eu sou feita disso.
— Estou ouvindo — o Sheikh respondeu, inclinando o corpo com esforço.
— Natália. Irmã da atual esposa de Khaled.
E mais do que isso: ela quer ver a queda dele tanto quanto nós.
Os olhos dele brilharam como os de um predador.
— E o que ela está disposta a fazer?
Hamzah não respondeu de imediato. Bebeu um gole do copo. Depois me chamou, como se fosse um jogo.
— Natália! Traga um chá para nosso convidado. Mas sirva... no quarto dele.
Meu estômago revirou. Eu sabia o que isso significava.
— Sem roupa — completou, ainda com o sorriso calmo.
Por um segundo, minha respiração parou. Não porque eu estava com medo. Mas porque eu sabia que era agora. Era essa a chance. Essa a porta. E só passaria uma vez.
Desci.
— Você é mesmo tudo isso que prometeram — ele disse.
Me aproximei, coloquei a bandeja na mesa e servi o chá. Sem tremer. Sem hesitar.
— Eu sirvo como quiser. Mas quero algo em troca — falei.
Ele arqueou a sobrancelha.
— E o que quer, menina?
— Quero que Khaled pague por tudo. Quero ele arruinado. Humilhado. Quero ver a mulher dele implorar de joelhos.
— E está disposta a fazer o que for necessário?
— Já estou fazendo, não estou?
Ele riu, aquele riso asqueroso de quem acha que ganhou.
Mas ele não percebeu: eu é que estou ganhando.
Cada toque que ele der, cada comando que ele disser, cada vez que pensar que me controla… eu vou estar mais perto de destruir a Lara.
Porque não é sobre prazer.
É sobre poder.
E eu posso dar o que eles querem — desde que eles me deem o que eu quero.
Queime devagar, irmãzinha.
Porque eu vou assistir.

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