Narrado em terceira pessoa
A bandeja de prata ainda tremia levemente na mesa de mármore, resquício da tensão de minutos antes. O ar do corredor parecia carregado, denso como areia quente no deserto. Natália havia deixado o quarto do Sheikh com o queixo erguido e os olhos gelados — mas por dentro, algo começava a ferver.
Ela estava suando. Não de medo — mas de raiva. E essa raiva, canalizada com precisão, se tornava uma arma.
Enquanto caminhava pelos corredores do palacete de Hamzah, envolta apenas por um roupão leve, as palavras do velho ecoavam em sua cabeça:
“Quero que ela me sirva melhor esta noite. Se me agradar… temos um acordo.”
Ela não era burra. Sabia o que “servir melhor” significava. E sabia também que aquele homem, o Sheikh, era podre até a alma — e que bastava uma palavra dele para colocar um exército a marchar contra Khaled. Por mais que tudo dentro dela se contorcesse, ela queria vingança. Queria ver Lara destruída. E agora, tinha nas mãos a moeda de troca perfeita: ela mesma.
Quando se afastou, Hamzah e o Sheikh seguiram conversando no salão principal. Nenhum dos dois percebeu quando ela se escondeu discretamente atrás da divisória de madeira entalhada que separava o corredor da sala. Os dois homens estavam absortos demais em sua conversa — e Natália era boa em se apagar quando queria.
— Você é esperto, Hamzah — dizia o Sheikh, enquanto mordiscava uma tâmara com dedos trêmulos. — Vender uma mulher como moeda política… nem todos teriam coragem.
— Eu só uso o que tenho. E, nesse caso, o que tenho é uma mulher com sangue quente e sede de vingança. — Hamzah riu baixo. — Ela me odeia, é verdade. Mas odeia Khaled mais ainda. Isso é o suficiente pra ela obedecer.
— E acha que ela vai me obedecer?
Hamzah deu de ombros, encostando-se à poltrona.
— Acha que ela tem escolha?
O Sheikh riu, um som grave e áspero como pedra raspando pedra.
— Justo. Ainda assim… se ela me agradar esta noite, dou minha palavra: Khaled vai cair. Vou quebrar os contratos dele, retirar apoio dos aliados. E quando ele pedir ajuda, vou cuspir no chão onde ele pisa.
Hamzah ergueu a taça.
— Um brinde à ruína de um rei.
Os dois brindaram.
Hamzah riu, surpreso.
— Você quer a cabeça dela?
— Não. Quero os olhos dela vendo tudo ruir. Quero ela sentindo o gosto da vergonha. Do abandono. Do que é ser tratada como lixo.
O silêncio pairou entre eles.
— Está feito — disse Hamzah. — Mas primeiro… conquiste o velho.
Natália o observou sair, depois trancou a porta e sentou-se na cama. Sua respiração estava firme, o rosto impassível. Abriu uma gaveta e retirou uma camisola longa, negra, que realçava sua pele e seu corpo. Era uma armadura. Seu corpo era a arma. E aquela noite… seria uma guerra silenciosa.
Ela não era tola. Sabia o que a esperava. Mas dessa vez, ela ia entrar no campo de batalha de cabeça erguida. Não por prazer. Não por submissão. Mas porque ela iria vencer.
Nem que para isso, tivesse que passar pelo inferno.

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