Narrado por Natália
A porta do carro se fechou atrás de mim com um estalo abafado, e o motorista nem precisou me dizer onde eu estava. O palácio do Sheikh era conhecido. As paredes decoradas com ouro, os tapetes persas que mais pareciam relíquias de museu, o perfume espesso de incenso e domínio. O velho morava no próprio ego.
Andei pelo corredor como quem pisa em campo de batalha. A seda colada ao meu corpo não me protegia do calor, mas não era proteção que eu queria. Era atenção. Era poder. Era o que me restava.
Dois guardas me encararam, mas não ousaram dizer nada. Quando abriram a porta, o ar do quarto me envolveu como uma promessa silenciosa: nada do que eu era antes importava aqui.
Ele estava ali. Deitado em almofadas imensas, com uma taça de vinho e o olhar mais nojento que já cruzei. Mas não desviei os olhos. Pelo contrário. Encarei como quem desafia.
— Pontualidade — ele disse, com a voz grossa. — Já me agrada.
Eu apenas deixei o manto escorregar dos ombros. Senti o tecido tocar meus calcanhares antes de cair no chão. Fiquei de pé, imóvel, deixando que ele me olhasse como quisesse. Porque eu tinha um objetivo.
Me aproximei sem dizer nada e me ajoelhei aos pés dele. Peguei a taça de vinho da mão gorda e enrugada, bebi um gole pequeno e devolvi.
— Espero que o chá da tarde tenha sido só o aperitivo — murmurei, com o tom mais doce que consegui forjar.
Ele riu. Um som úmido, grotesco.
— Se continuar me servindo assim... será minha rainha por uma noite.
Fechei os olhos por um segundo. Não pela vergonha. Pela raiva que latejava no peito. Mas abri de novo. Porque era com isso que eu ia jogar. Com a fome dos homens.
Quando ele me puxou para mais perto, deixei. Me permiti. Não porque queria. Mas porque precisava.
E depois, quando tudo terminou, quando ele já estava deitado como um rei satisfeito, suado e ofegante, eu vesti o robe de seda e me aproximei da mesa baixa onde uma segunda garrafa de vinho esperava.
— Você gostou de mim? — perguntei, servindo uma taça para ele.
— Muito — ele disse, passando a língua pelos lábios secos. — Você é perigosa. Como uma adaga que brilha antes de cortar.
— E você é um homem que sabe reconhecer valor... por isso aceitei vir aqui. Porque sei que pode me ajudar.
Ele estreitou os olhos.

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