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Vendida ao Sheik romance Capítulo 117

Narrado por Khaled

O carro atravessou os portões do palácio de Abdul Rahman com a lentidão de quem já carrega dentro de si o caos. Eu fui sozinho. Não levei Youssef, não levei segurança armada. Não porque subestimei o velho, mas porque sabia que ele esperava isso: uma demonstração de confiança, ou arrogância. E eu queria que ele não soubesse qual das duas estava encarando.

O calor de Dubai queimava mesmo com o sol já em declínio. A areia se acumulava nos cantos do caminho de pedra branca, e as colunas do palácio tremeluziam ao longe como miragens. Mas não havia miragem nenhuma ali. Havia um homem velho, nojento, que queria brincar de desafiar o inferno.

O empregado me conduziu até um salão aberto, onde o Sheikh fumava um charuto e recebia tâmaras em uma bandeja de ouro. Estava de túnica clara, sentado como um sultão de eras passadas, como se o tempo ainda respondesse a ele.

— Khaled — disse com a voz rouca, sem levantar. — Que surpresa...

Me aproximei com calma, as mãos nas costas, o rosto impassível.

— Sheikh.

Ele me ofereceu uma tâmara. Recusei com um leve movimento de cabeça.

— Não vim comer. Vim conversar.

— Imagino que seja sobre a garota.

— Natália.

— Bonita. Obediente. Cheia de ódio nos olhos. Uma combinação rara.

Sentei à frente dele com elegância silenciosa, observando cada detalhe do rosto dele — o suor escorrendo na lateral, o cheiro forte do óleo que usava no cabelo, os dentes manchados de nicotina. Um homem que se achava rei, mas era só mais um verme decorado.

— Acredito que Hamzah tenha oferecido algo a você.

Ele riu baixo.

— Ele me ofereceu... o corpo de uma mulher. E a cabeça de um homem.

— A minha.

— Sim.

Assenti. Me inclinei devagar, os cotovelos nos joelhos.

— E você aceitou?

Ele mordeu uma tâmara e mastigou com lentidão, saboreando.

— Ainda estou... considerando. A garota é boa. Muito boa. E o ódio que ela tem da sua esposa me serve. Mas Hamzah... é pequeno perto de você. Precisa de ajuda. Você não.

Fiquei em silêncio por dois segundos antes de sorrir, frio.

— Sheikh...

— Hm?

— Eu não vim negociar.

Ele parou de mastigar.

— Como assim?

— Vim te lembrar. Que há décadas, quando você ainda usava espada no cinto, eu já construía impérios com uma caneta. Vim te lembrar que o meu nome, Khaled Al-Mansur, é conhecido em todas as partes do mundo, e não por causa de favores.

Ele não respondeu.

— Eu vim te lembrar que se você colocar as mãos de novo em algo que pertence a mim... você não verá o próximo nascer do sol.

— Isso é uma ameaça?

— Não. — sorri. — É um aviso. Porque ameaça é algo que se faz quando você ainda está disposto a conversar. Eu não estou.

O Sheikh soltou uma risada seca, mas havia hesitação ali.

— E você vai me matar porque dormi com a irmã da sua mulher?

— Não. Você vai morrer porque pensou que podia usar ela contra mim.

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