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Vendida ao Sheik romance Capítulo 130

Narrado por Lara

Assim que a porta da sala se fechou atrás deles, eu senti um nó na garganta tão apertado que precisei me apoiar na parede para não desabar ali mesmo. O som dos passos do meu pai ecoando pelo corredor foi ficando cada vez mais distante… até desaparecer de vez. Mas o vazio que ficou aqui dentro, esse ficou mais alto do que qualquer grito que ele deu durante aquela visita.

Minhas mãos tremiam.

A imagem da Bianca ajoelhada, com os olhos marejados, implorando por ajuda, me corroía. A dor dela era real. Mas e a minha? A dor que eles ignoraram por anos? O que eu passei nesse país por culpa deles, ninguém tirou. Ninguém curou. Só restou eu... e Khaled.

Foi só olhar para ele que desabei. Minhas pernas cederam, e ele veio rápido, me amparando antes que eu caísse no chão.

Khaled: Calma, meu amor... você está tremendo. Vem aqui, deita comigo... respira.

Me afundei nos braços dele como se fosse a única coisa segura que me restava no mundo. E talvez fosse mesmo. Ele se sentou no sofá, e eu me encolhi no colo dele. Seu peito firme subia e descia com a respiração calma, me embalando com uma proteção silenciosa.

Eu chorei.

Chorei por tudo. Pela mãe que eu nunca conheci. Pelo pai que me odiava. Pelas irmãs que me desprezaram. Chorei por ter sido tratada como uma moeda de troca, por ter sido vendida para um homem que, por ironia, me ama mais do que qualquer um da minha própria família.

Lara: Será que eu tô sendo cruel demais?

Minha voz saiu falhada, engasgada entre as lágrimas.

Khaled: Você está sendo forte. Só isso.

Lara: Mas ela é minha irmã, Khaled... é a Natália. Por mais que eu tente sentir raiva, por mais que ela tenha feito o que fez, ela ainda é sangue do meu sangue. E se aquele velho nojento estiver mesmo abusando dela? E se... e se ela estiver sofrendo?

Ele me olhou sério, e seus olhos escuros se tornaram mais duros. Eu já conhecia aquele olhar. Era o mesmo que ele usava com os inimigos. Aquele que dizia: “não me desafie”.

Khaled: E você acha que ela pensou em você quando mandou aquela caixa? Quando ameaçou o nosso filho? Você acha mesmo que ela se importou com a sua vida?

Engoli em seco. Era verdade. Mas por que meu coração ainda doía tanto?

Lara: Não... ela não pensou. Mas... talvez... talvez ela esteja em um lugar tão escuro quanto eu estive um dia. Talvez ela esteja com raiva do mundo. E se eu não ajudar agora, vai ser como se eu deixasse ela morrer. E se depois eu me arrepender?

Khaled passou a mão pelos meus cabelos com delicadeza. Seu toque me acalmava, mas não silenciava o caos dentro de mim.

Khaled: O seu pai quer usar você como ferramenta de salvação de novo, Lara. Ele só vem até aqui quando precisa. Ele não te ama. Nunca amou. A Bianca se ajoelhou porque está desesperada, não porque mudou. E a Natália... a Natália já escolheu o lado dela. E não foi o seu.

Fechei os olhos. Tentei apagar as lembranças, mas elas vinham como flashes. O dia em que descobri que minha mãe morreu me parindo. O modo como meu pai nunca olhou pra mim com carinho. O jeito como as minhas irmãs riam entre si e me deixavam de lado, como se eu fosse um erro, uma mancha na família perfeita deles.

E agora, depois de tudo, esperavam que eu salvasse a Natália?

Khaled: Você não é má, Lara. Mas você precisa ser firme. É isso que protege nossa família. É isso que protege o nosso filho.

Coloquei a mão sobre meu ventre, onde a vida que crescia dentro de mim parecia ainda mais frágil diante de tudo isso. Era por ele que eu aguentava. Era por ele que eu me vestia de gelo, que eu engolia minha dor e mantinha o queixo erguido. Mas será que ser mãe não era justamente isso? Proteger?

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