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Vendida ao Sheik romance Capítulo 132

Narrado por Lara

Depois que abracei a Natália e a deixei no quarto, meu corpo inteiro tremia por dentro, mas o meu rosto era puro aço. Cada segundo dentro daquela casa me fazia querer gritar. Aquilo ali não era um lar. Era um cativeiro disfarçado de palácio. E ela estava presa. Fraca. Quebrada.

Desci as escadas com a certeza queimando no meu peito.

Khaled estava do lado de fora, ao lado do carro, de braços cruzados, me observando como se soubesse que algo em mim tinha virado. E tinha mesmo.

Me aproximei sem hesitar. Ele arqueou a sobrancelha com aquele olhar afiado, mas não disse nada. Fui eu quem quebrei o silêncio:

Lara: Eu quero ele morto.

Khaled piscou lentamente, como se estivesse confirmando se tinha ouvido certo.

Khaled: E não era você que sempre disse que odiava sangue? Que era contra violência?

Dei um passo pra frente. Encostei o peito no dele. Minha voz saiu baixa, firme, fria.

Lara: Você já matou tantas vezes. Já eliminou gente por muito menos. Agora mate porque eu tô pedindo. Eu quero aquele porco assado. E quero a minha irmã fora dessa casa antes do pôr do sol.

Por um instante, ele me encarou com olhos semicerrados... e então um sorriso surgiu. Lento. Escuro. Admirado.

Khaled: Adoro quando você é decidida, meu amor.

Lara: Seja rápido. A Natália tá sofrendo. E depois disso... elas vão embora. Meu pai, a Bianca, a Natália. Todos. Vão voltar pro Brasil. E eu quero distância. Quero paz.

Khaled: E você? Vai com eles?

Neguei com um leve movimento da cabeça.

Lara: Meu lugar é aqui. Com você. Com nosso filho. Essa casa, esse país, essa vida... é minha agora. Mas quero o nome deles bem longe de mim.

Ele me olhou com orgulho. Talvez porque estivesse vendo, finalmente, a mulher que ele construiu. Ou talvez porque estivesse apaixonado pela minha frieza, a mesma que ele tanto respeitava nos aliados e temia nos inimigos.

Khaled: E se a sua irmã surtar de novo? Se ela voltar a dar trabalho?

Olhei firme pra ele.

Lara: Ela não vai. Agora ela sabe do que eu sou capaz. Ela viu. Sentiu o cheiro da morte. Se fizer qualquer coisa, sabe muito bem o que pode acontecer.

Ele deu um leve aceno, como quem reconhece a ordem de uma rainha.

Estalou os dedos, chamou um dos seguranças e falou em árabe. Poucos minutos depois, ouvimos disparos abafados vindo de dentro da mansão. Ninguém reagiu. Ninguém correu. O destino de Hamzah tinha sido selado... por mim.

Respirei fundo, olhando para o céu de Dubai, como quem encerra um capítulo maldito. Virei o rosto e encarei Khaled.

Lara: Vai buscar a Natália. Ela não vai passar mais uma noite nessa casa.

Ele apenas assentiu.

Aos poucos, os seguranças retiraram Natália e organizaram tudo para que ela fosse levada à nossa propriedade. Khaled providenciou médicos, remédios, roupas, documentos. Como se estivesse limpando a sujeira com a frieza de um profissional. E eu só observava. Silenciosa. Lúcida. Sem culpa.

Ela me olhou, pálida, assustada, mas não questionou. Sabia o que tinha acontecido. Sabia quem tinha ordenado. E sabia que eu não voltaria atrás.

Natália: Você mandou matar ele?

Na manhã seguinte, Khaled cumpriu cada detalhe do plano. O jatinho estava pronto. Os passaportes nas mãos. O silêncio no carro de ida pro aeroporto era tão pesado que parecia sufocar.

Antes deles embarcarem, Natália me abraçou. Pela primeira vez de verdade. Não com falsidade, nem medo.

Natália: Obrigada por me tirar de lá. Mesmo depois de tudo.

Lara: Só me prometa que não volta.

Natália: Eu prometo.

Vi o avião subir aos céus com um misto de alívio e fim.

Fiquei em pé ao lado de Khaled, observando a linha do horizonte. As luzes do aeroporto se apagando atrás de nós.

Khaled: Você foi mais cruel do que eu teria sido.

Lara: Não fui cruel. Fui justa.

Ele me olhou de lado. Sorrindo.

Khaled: O trono é seu, minha rainha. E o mundo, agora, que se ajoelhe.

E naquele instante... eu soube: ali, naquele solo quente de Dubai, eu tinha vencido.

Não era mais filha rejeitada. Nem esposa vendida.

Era a mulher que mandava no deserto.

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