Adir
Eu estava aproveitando o evento ao lado da Nayla, tudo tranquilo, música baixa, gente importante circulando, quando o rádio vibrou no meu ouvido. Era Jairo, um dos homens de confiança, avisando que havia uma inconsistência grave nas contas e que ninguém estava conseguindo localizar o gerente geral para resolver a situação.
Ele perguntou se eu poderia ir pessoalmente até a central administrativa resolver, porque os homens estavam discutindo entre si e ninguém queria assumir responsabilidade. Aquilo me incomodou. Em noites como aquela, o gerente geral costumava ser o primeiro a aparecer. Sempre atento, sempre presente. O sumiço dele não fazia sentido.
Fiquei alguns segundos em silêncio antes de responder que iria verificar, mas a pergunta não saía da minha cabeça:
onde diabos ele se enfiou justamente hoje?
Nayla: Está tudo bem? — ela perguntou, se aproximando, percebendo meu semblante mudar.
Adir: Surgiu um problema interno. Parece que há um rombo nas contas e ninguém encontra o gerente geral para esclarecer. Vou ter que verificar pessoalmente.
Nayla: Não pode deixar isso para amanhã? Se tem um problema hoje, ele vai continuar existindo amanhã. Não faz sentido você sair do evento agora.
Adir: O problema é que, se eu não agir agora, amanhã ninguém vai saber exatamente quem causou isso. As versões começam a mudar, as pessoas se alinham, e a verdade some.
Ela cruzou os braços, claramente desconfortável.
Nayla: Eu vou com você.
Adir: Não precisa. Fica aqui, aproveita com as meninas. A Rafaela acabou de chegar, vocês estavam se divertindo.
Nayla: Eu não estou gostando disso. Você sair no meio do evento para resolver problema interno nunca é bom sinal. Manda o Zayd no seu lugar.
Respirei fundo.
Adir: O Zayd ainda está afastado por causa do problema envolvendo o Pashir. Se ele se envolver agora, pode virar outra dor de cabeça. Não estou nem um pouco interessado nisso.
Nayla: Então manda o Amir. Ele é gestor agora, entende de números, pode resolver. Se a situação fugir do controle, ele te liga. Não precisa você sair daqui.
Adir: Hoje não é o plantão do Amir. Ele está de folga. Não posso puxar o cara do descanso dele para isso. É coisa rápida, Nayla. Você está ficando nervosa à toa.
Ela deu um passo à frente, visivelmente tensa.
Pashir: Então deixa que eu vou. Resolvo pessoalmente e volto. Não precisa liberar o Zayd.
Adir: Você faria isso?
Pashir: Faço. É rápido. Fica aqui com a sua mulher.
Adir: Os homens disseram que o valor não fecha. É só conferir, chamar o responsável e isolar o sujeito até amanhã. Não precisa fazer nada extremo hoje. Se for caso sério, eu resolvo depois.
Pashir: Entendido. Vou lá agora e te aviso.
Adir: Qualquer coisa me chama no rádio.
Pashir: Pode deixar. Já volto.
Observei ele se afastar, enquanto voltava minha atenção para a Nayla. Algo naquela noite não estava encaixando direito. E, pela primeira vez em muito tempo, eu tive a sensação clara de que alguém estava mexendo peças demais no tabuleiro sem eu perceber.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Vendida ao Sheik
O valor das moedas na hora de realizar o pagamento não condiz com o valor descrito na compra...