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Vendida ao Sheik romance Capítulo 146

Leila

Eu nunca fui ingênua como as outras mulheres ao meu redor.

Nunca acreditei em plano perfeito, muito menos em gente que promete poder absoluto como se isso não tivesse preço. Aqui em Dubai, tudo tem um custo — e geralmente ele é pago com sangue, silêncio ou exílio.

Desde o início, eu sabia que aquilo podia dar errado.

Quando vi Nadia atravessando o salão atrás de Adir, com aquele vestido caro demais para alguém que dizia ser só uma convidada, alguma coisa se quebrou dentro de mim. Não foi surpresa. Foi confirmação. O tipo de sensação que chega quando a mente finalmente aceita aquilo que o coração já sabia.

O evento estava cheio.

Sheiks, empresários, mulheres cobertas de joias, homens com olhares frios e calculistas. Um baile da alta sociedade, patrocinado por famílias influentes, onde ninguém entra sem convite — e onde ninguém sai ileso quando algo dá errado.

Eu estava ali por status, não por ingenuidade.

Enquanto Rafaela e Nayla ainda tentavam manter a aparência de normalidade, rindo e fingindo que aquilo era apenas mais uma noite luxuosa, eu comecei a me afastar. Devagar. Sem chamar atenção. Sem olhar para trás.

Não chamei Layla.

Não avisei Viyan.

Muito menos Nayla.

Cada uma escolhe como quer morrer — ou sobreviver.

Aprendi cedo que, quando um plano envolve humilhar um homem como Adir, um sheik respeitado, poderoso e extremamente orgulhoso, o erro nunca é pequeno. Ele é exemplar. Serve de lição para os outros.

E eu não estava disposta a virar exemplo.

Saí do salão como quem vai ao banheiro. Caminhei com calma pelos corredores iluminados, passei pelos seguranças sem pressa, mantendo a postura de quem pertence àquele lugar. O coração batia forte, mas meu rosto não demonstrava nada.

Aqui, quem corre vira suspeita.

Peguei o primeiro carro disponível no valet e pedi para o motorista me levar para longe do distrito onde o evento acontecia. Quanto mais distante do nome Adir, melhor.

Dubai nunca dorme, mas sabe engolir pessoas inteiras sem deixar vestígios.

Durante o trajeto, minha mente não parava. Eu pensava em todas as possibilidades.

Se desse certo, talvez me chamassem de volta.

Se desse errado — e eu sabia que essa era a opção mais provável — nomes seriam caçados, rostos divulgados, famílias pressionadas.

A única coisa que me tranquilizava era saber que, aqui, as famílias nem sempre pagam pelos erros dos filhos. Eu já tinha deixado dinheiro suficiente com minha mãe para ela se manter por um tempo. Depois, eu daria um jeito de ajudá-la mais.

Sobreviver sempre foi minha prioridade.

Desci em frente a um hotel discreto, daqueles que não chamam atenção da elite nem da polícia. A recepcionista me analisou rapidamente.

— Vai receber alguém?

— Sim — respondi sem hesitar. — Mais tarde.

Mentir é fácil quando a verdade nunca protege ninguém.

No quarto, tranquei a porta e sentei na cama. Fiquei olhando para o teto, tentando imaginar o que estava acontecendo naquele exato momento no salão.

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