Khandra
Pashir entrou no quarto para conversar com Maisha, e eu permaneci do lado de fora, sentada em uma das cadeiras do corredor, ao lado de Miriã. O hospital estava silencioso àquela hora da noite, iluminado por luzes frias que tornavam tudo ainda mais tenso. O cheiro de antisséptico misturava-se ao peso daquela situação que parecia não ter fim.
Ela me observava com atenção, como se estivesse me estudando. Eu também não desviava o olhar. Não gostei nem um pouco da forma como havia falado comigo mais cedo — firme demais, direta demais, como se tivesse autoridade sobre mim, sobre o meu casamento, sobre a minha vida.
A verdade era simples: eu não confiava nela.
E muito menos na filha dela.
Para mim, tudo aquilo tinha cheiro de armadilha. Um discurso bem construído, palavras bonitas, postura de mãe protetora… mas, quando se olhava com mais atenção, o objetivo parecia claro: afastar Pashir de mim e empurrá-lo para uma família que nunca foi a dele.
Respirei fundo antes de falar. Não ia baixar a cabeça.
Khandra:
— Eu não gostei da forma como a senhora falou comigo mais cedo. Acho que passou dos limites.
Miriã não se mostrou surpresa. Apenas cruzou as mãos sobre o colo e me respondeu com uma calma que, confesso, me irritou ainda mais.
Miriã:
— Eu falei como uma mãe fala quando sente que a filha está sendo atacada. Nada além disso.
— Atacada? — repeti, incrédula. — Sua filha me procurou, me provocou e me agrediu. Eu apenas me defendi.
Ela sustentou meu olhar.
Miriã:
— E eu não estou dizendo que minha filha é santa. Ela errou, sim. Mas você também errou ao deixar essa situação sair do controle. Vocês duas passaram dos limites.
Soltei uma risada curta, sem humor.
Khandra:
— Com todo respeito, a senhora fala como se eu tivesse obrigação de aceitar tudo calada. Eu sou a mulher do Pashir. Eu construí uma vida com ele. Eu não apareci agora.
Miriã inclinou levemente a cabeça, como quem reconhece um ponto, mas não recua.
Miriã:
— E ninguém está tentando tirar isso de você. Mas existe uma criança envolvida agora, e quando existe uma criança, as coisas deixam de ser apenas sobre adultos feridos.
— Eu tenho dois filhos — respondi, firme. — Sei exatamente o que é colocar uma criança em primeiro lugar. Justamente por isso eu jamais tiraria um filho da mãe.
Ela me observou por alguns segundos antes de falar novamente.
Miriã:
— Então pare de agir como se minha filha fosse uma ameaça constante. Ela está com medo. Medo de perder o filho, medo de ser esmagada por alguém com mais poder, mais dinheiro, mais influência.


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