Khandra
Ele saiu do hospital sem dizer uma palavra, caminhando com passos largos pelo corredor iluminado de mármore. Eu o segui imediatamente. Não por desespero, mas porque precisávamos voltar para casa — e porque aquele silêncio carregado não podia se transformar em algo maior dentro do carro.
Dubai à noite tinha uma beleza quase cruel. Tudo era grandioso demais para comportar conflitos tão íntimos. O estacionamento estava silencioso, apenas o som distante de motores de carros de luxo quebrava o ar quente.
Entrei no banco do passageiro e fechei a porta com cuidado, mantendo a postura. Eu não gritei. Não questionei de imediato. Esperei ele ligar o carro, porque conheço homens como Pashir: eles precisam de alguns segundos para organizar a própria cabeça antes de falar.
Khandra: Se você pretendia sair andando sem dizer nada, poderia ao menos ter avisado. Caminhou como se eu não estivesse ali.
Pashir: Desculpa. Não foi minha intenção te desrespeitar. Eu só… estou tentando entender tudo isso.
Ele dirigia em silêncio, os olhos fixos à frente, a mandíbula tensa. Era evidente que a conversa com Maisha o havia abalado mais do que ele gostaria de admitir.
Pashir: Maisha deixou claro que não quer que eu acompanhe a gravidez. Disse que vai me manter informado por terceiros. Como se eu fosse um estranho. Como se eu estivesse tentando puni-la ou forçá-la a algo.
Khandra: E isso te surpreende?
Ele me olhou rapidamente, depois voltou a atenção para a estrada.
Khandra: Pashir, ela está grávida e emocionalmente instável. Mas isso não significa que você precise aceitar tudo sem limites. Ainda assim, agora não é o momento de confronto. Dar espaço não é desistir.
Pashir: Parece que ela está tentando me colocar como vilão. Como se eu estivesse escolhendo você e abandonando uma responsabilidade.
Khandra: Você não está abandonando ninguém. Você está sendo honesto. Existe uma diferença enorme entre assumir um filho e destruir um casamento por culpa.
O carro entrou na avenida principal, cercada por arranha-céus iluminados. Tudo ali respirava poder, controle e aparência — exatamente o oposto do que se passava dentro de nós.
Khandra: Eu sei que exagerei quando questionei o exame. Reconheço isso. Mas não retiro o que penso: Maisha acredita que essa criança pode unir vocês como uma família. Não por maldade pura, mas por ilusão.
Pashir: Eu nunca prometi nada além do que posso cumprir.
Khandra: E é exatamente isso que você deve continuar fazendo. Cumprir. Não ceder por culpa. Não permitir que emoções mal resolvidas ditem decisões definitivas.
Ele estacionou em frente à nossa casa, desligou o carro e virou-se para mim.
Pashir: Isso não vai acontecer. Eu prometo.
Respirei fundo, finalmente permitindo que a tensão diminuísse.
Khandra: Então vamos entrar. Amanhã será outro dia. E essa história ainda está longe de acabar.
Ele sorriu de leve, cansado, mas sincero.
Pashir: Obrigado por não desistir de mim.
Khandra: Eu não desisto fácil. Mas também não me anulo. E você sabe disso.
Saímos do carro lado a lado, mantendo a postura que a nossa posição exigia. Porque em Dubai, mais do que em qualquer lugar, fraqueza nunca é pública — apenas administrada em silêncio.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Vendida ao Sheik
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