Pashir
Entrei no quarto onde Maisha estava sentada na cama, o soro pendurado ao lado, as mãos pousadas sobre a barriga ainda discreta. O ambiente tinha cheiro de hospital, aquele silêncio pesado que não acalma ninguém. As palavras da mãe dela ainda ecoavam na minha cabeça, cada frase carregada de julgamento, razão e aviso. Eu não esperava aquele tipo de conversa, muito menos daquela forma. Respirei fundo antes de me aproximar, tentando manter a postura, mas por dentro eu estava completamente bagunçado.
Pashir: Como você está agora? Quando o Sahir me ligou dizendo que você tinha passado mal, eu fiquei preocupado com você… e com o bebê.
Ela não sorriu. Não se mexeu. Apenas me olhou por alguns segundos antes de responder, como se estivesse escolhendo cada palavra com cuidado.
Maisha: Estamos bem. Não precisava ter saído de onde você estava para vir até aqui. Vou receber alta amanhã, depois de alguns exames. Vai ficar tudo bem. Se quiser, já pode ir embora.
Aquilo bateu mais forte do que eu esperava. Não pelo que ela disse, mas pela forma fria, distante. Era como se tivesse erguido um muro entre nós. Dei alguns passos para mais perto da cama, sem tocar nela.
Pashir: Você não precisa me tratar assim. Eu não vim aqui para causar confusão. Eu só quero que você fique bem. Quero estar presente. Não estou tentando fugir da responsabilidade.
Ela respirou fundo, desviou o olhar por um instante, depois voltou a me encarar.
Maisha: Eu sei. Mas eu não quero confusão com a sua mulher. E eu preciso ser sincera com você agora. Não foi ela que me bateu primeiro. Fui eu. Eu avancei. Eu causei toda aquela confusão. Ela não tem culpa. Eu estava com medo, criando coisas na minha cabeça, ouvindo gente errada. Minha mãe já me colocou no lugar. Eu não vou mais criar expectativa nenhuma sobre nós dois.
As palavras saíram rápidas, como se ela estivesse se livrando de um peso.
Maisha: Me desculpa se eu tentei atrapalhar seu relacionamento. Mesmo sabendo que não consegui. Eu fiquei com medo de você tirar meu filho de mim. Medo de perder tudo. E acabei agindo de forma impulsiva. Isso não vai acontecer de novo. Eu entendi que nem toda família precisa ser como a gente idealiza. Eu sou a família do meu filho. Sempre vou ser.
Fiquei em silêncio por alguns segundos, tentando organizar tudo. Aquilo não era o que eu queria ouvir, mas também não era mentira.
Pashir: Eu nunca tiraria seu filho de você.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Vendida ao Sheik
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