Lara
A noite estava silenciosa, e o quarto escuro era iluminado apenas pela fraca luz da lua que entrava pelas cortinas entreabertas. O calor do corpo de Khaled ao meu lado era reconfortante, e por um momento, quase consegui esquecer o medo que crescia dentro de mim desde o jantar.
Quase.
Virei para o outro lado da cama, tentando afastar os pensamentos que martelavam na minha mente. Eu não podia ficar alimentando aquele pânico. Se ele quisesse me matar, já teria feito isso, certo?
Me forcei a fechar os olhos e me concentrar na respiração dele.
Foi quando o barulho do celular cortou o silêncio do quarto.
O som era abafado, mas alto o suficiente para me despertar completamente. Khaled se mexeu ao meu lado, pegando o aparelho no criado-mudo. Olhei pelo canto dos olhos e vi o brilho da tela refletindo em seu rosto.
Ele franziu o cenho, leu alguma coisa e se levantou.
Fingindo que ainda dormia, continuei deitada, ouvindo enquanto ele caminhava até o closet. A porta se fechou com um leve clique, mas o tom de sua voz assim que atendeu a ligação foi o suficiente para me fazer abrir os olhos de vez.
Ele estava irritado.
— O quê? — A voz dele saiu baixa, mas carregada de tensão.
Engoli em seco, sentindo um arrepio percorrer minha espinha.
Houve um curto silêncio antes de ele falar novamente, dessa vez mais alto, sem esconder a raiva.
— Eu deixei tudo organizado antes de sair! Como deixaram isso acontecer?
Tentei controlar minha respiração.
O que estava acontecendo?
Khaled parecia furioso, andando de um lado para o outro dentro do closet.
— Eu não quero desculpas, quero soluções!
Apertei os dedos contra os lençóis. Ele nunca tinha falado assim antes.
Eu sabia que ele era autoritário, mas esse tom... Esse tom era de alguém acostumado a dar ordens que precisavam ser seguidas sem questionamento.
E então, sua próxima frase fez meu sangue gelar.
— Mate eles.
Meu coração disparou.
Ele continuou, sem um pingo de hesitação na voz.
— Eu não quero ter problemas no meu retorno. Acaba com a vida de todos eles, se for preciso.
Meus olhos se arregalaram, e minha respiração ficou presa na garganta.
Ele estava mandando matar alguém.
Senti meu corpo começar a tremer.
O que Khaled realmente fazia? Eu sabia que ele era um empresário poderoso, dono de diversas empresas e negócios... Mas aquilo?
Não era normal.
Minha mente girava com mil perguntas, e nenhuma delas tinha uma resposta que eu queria ouvir.
Será que era assim que ele lidava com qualquer um que o incomodasse? Foi assim com as esposas anteriores? Se um dia ele decidisse que eu não servia mais, aconteceria o mesmo comigo?
Fechei os olhos com força, tentando controlar o pânico.
Meu corpo congelou ainda mais quando senti sua mão deslizar pelo meu corpo, parando na curva da minha cintura. Ele me puxou para perto, envolvendo-me com seu braço.
Eu estava presa.
Ele dormia sempre abraçado a mim. Dessa vez, porém, a sensação era diferente.
Eu sentia como se estivesse sendo enjaulada.
Meu rosto ficou contra seu peito, e eu pude sentir sua respiração lenta e ritmada. Ele parecia tranquilo.
Como se não tivesse acabado de ordenar uma chacina.
Tentei não me mexer, não respirar fundo, não deixar escapar nenhum sinal de que eu estava acordada.
Mas, por dentro, minha mente gritava.
O que eu estava fazendo aqui?
Eu tinha que fugir?
Se eu tentasse, ele me mataria?
O pensamento era sufocante.
Fechei os olhos, me obrigando a afastar todas essas perguntas.
Agora, mais do que nunca, eu precisava entender quem realmente era Khaled.
E, principalmente, até onde ele iria…
Se um dia eu decidisse desobedecê-lo.

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