Narrado por Khaled
O telefone vibrou no meu bolso antes mesmo de eu sair do quarto com Lara. Eu já sabia o que era. Aquela tensão no ar... não vinha à toa. As informações estavam se acumulando há semanas, mas agora, a traição tinha se concretizado.
Quando atendi, a voz do Omar veio carregada de urgência:
— Khaled, Yasser assinou o contrato com a Emaar. Aquilo que era nosso.
Cerrei os dentes.
— Eles passaram por cima da cláusula de exclusividade?
— Passaram. Pagaram o triplo. Ele fez por provocação. E foi ele quem entregou os documentos que vazaram.
— E o restante da família?
— Estavam todos na casa.
Desliguei sem responder.
Lara ainda dormia, encolhida entre os lençóis. Ela era leve demais, pura demais para esse mundo. Eu a tinha afastado de tudo isso, mas não podia esconder a verdade para sempre. Mesmo assim, ela ainda não estava pronta.
Me vesti em silêncio, deixei a casa e fui direto para a sede da empresa, onde meus homens já me esperavam. Eu não era sócio de empresas legítimas. Eu era dono de poder. O tipo de poder que não aparece em jornais, mas que movimenta tudo o que você lê neles.
Na sala de reuniões, as fotos estavam dispostas sobre a mesa. Yasser rindo com a esposa. O contrato assinado. O extrato do banco confirmando o suborno.
— Esse desgraçado me enfrentou sabendo as regras. — Eu disse, em voz baixa. — E agora vai aprender o preço disso.
— Vamos agir hoje? — Omar perguntou.
— Agora.
Dei a ordem ali mesmo. O plano estava traçado havia semanas, caso ele cruzasse a linha. E ele cruzou.
A equipe entrou por uma trilha lateral da casa. Nada de tiros, nada de alarde. Discrição e sangue. As câmeras foram desligadas três minutos antes do ataque. O perímetro estava limpo. O resto... foi inevitável.
Yasser foi o primeiro. Degolado na sala, assistindo a um jogo com o filho.
A esposa tentou fugir. Foi alcançada no corredor.
A filha? Chorava, escondida no closet. Encontraram.
Os seguranças foram mortos com uma precisão cirúrgica.
Tudo em silêncio. Tudo em menos de sete minutos.
Eu cheguei minutos depois, apenas para ver os corpos no chão. O sangue escorria pelas tábuas da mansão como um lembrete de que no meu mundo... traições não passam impunes.


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