Narrado por Lara
Já fazia uma semana. Sete longos dias desde que ele entrou em casa coberto de sangue e eu, paralisada, percebi que o homem com quem me casei era mais perigoso do que qualquer pesadelo que minha mente pudesse criar.
Desde então, venho vivendo como uma prisioneira voluntária.
Evito Khaled de todas as formas. Não desço para o café da manhã, não almoço com ele, não janto. Todos os meus pratos são deixados na porta por uma das empregadas. Eu espero ela se afastar, abro a porta, pego e volto para o meu isolamento.
Tranco a porta com duas voltas na chave. Sempre.
Durmo pouco. Passo as noites assistindo a séries no notebook, tentando mergulhar em outros mundos que não o meu.
Na maior parte do tempo, fico com medo. Medo dele. Medo de fazer algo errado. Medo de me tornar a próxima esposa “desobediente”.
E por mais que eu tente, não consigo esquecer o modo como ele entrou naquela noite.
Calmo. Sujo de sangue. Sem dizer uma palavra.
Ele não se importou com meu olhar de horror. Não tentou explicar. Nem fingiu.
Desde então, toda vez que escuto seus passos no corredor, meu corpo inteiro se encolhe. Quando ouço sua voz falando com os empregados no andar de baixo, eu seguro a respiração.
Não sei quanto tempo ainda vou conseguir manter essa distância.
Mas por enquanto, me sinto segura apenas aqui. Nesse quarto que, aos poucos, se tornou minha bolha de proteção.
Hoje, como nos outros dias, estou deitada na cama, coberta até os ombros, assistindo a um episódio qualquer. Nem sei mais qual série é. Só deixo o som ligado para não ouvir o silêncio.
E então, ouço.
Três batidas secas na porta.
Meu corpo inteiro congela.
Não é a batida da empregada. Não é leve, nem hesitante.
É ele.
Khaled.
Meu coração começa a bater mais forte. Minha respiração falha. Me sento devagar, apoiando os pés no chão.
Talvez se eu fingir que estou dormindo…


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