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Vendida ao Sheik romance Capítulo 32

Narrado por Lara

O envelope ainda estava sobre minha cama, como se me provocasse silenciosamente. Passagem de volta. Passaporte. O caminho de fuga que eu tanto desejei durante dias… ali. Fácil. Mas o que me esperava do outro lado?

Peguei o celular. Minhas mãos suavam. Disquei o número do meu pai. Eu precisava ouvir dele. Precisava saber se, de alguma forma, ainda havia espaço para mim naquela casa.

— Alô? — a voz dele soou fria, impaciente.

— É a Lara… pai.

Houve um silêncio incômodo. Um que dizia muito mais do que qualquer palavra.

— O que você quer?

Engoli em seco.

— Eu… recebi meu passaporte de volta. Uma passagem. Queria saber… se o senhor quer que eu volte pra casa. Se as coisas mudaram.

Mais silêncio. Dessa vez, ele soltou uma risada baixa. Sarcástica.

— Mudaram sim. Estamos vivendo bem, graças ao acordo que eu fiz com aquele homem. Vendendo você.

Meu coração despencou.

— Mas pai… eu sou sua filha. Como pode dizer isso?

— Olha, Lara… eu me senti culpado no começo. Mas agora? Eu tenho certeza de que fiz a coisa certa. Você sempre foi diferente. Sempre esteve à margem. E desde que você saiu, tudo ficou mais leve. Bianca e Natália estão ótimas. A casa está em paz. A empresa está voltando a respirar.

— E o melhor pra mim? — perguntei, com a voz falhando. — Isso nunca importou?

— Eu nunca me importei com o melhor pra você. Sempre te culpei pela morte da sua mãe. Eu perdi a mulher que amava por sua causa.

As lágrimas começaram a escorrer, quentes, cortando minhas bochechas.

— Eu sinto muito, minha filha, mas eu nunca vou conseguir te amar. Nunca me perguntei se esse homem te tratava bem ou mal. Quando você expulsou a gente do casamento… eu só tive certeza de que você não faz parte da nossa família. Nem nunca fez. Não volte. Nem pense nisso.

Ele desligou.

E eu… eu só consegui deixar o celular escorregar da minha mão.

Me sentei na beira da cama e chorei. Chorei como nunca chorei antes. Desabei.

Tudo o que eu sempre quis foi ser amada. Mas nem isso eu tinha. Nem da minha família. Nem do mundo.

A porta se entreabriu e a empregada que estava no corredor parou ao me ver naquele estado. Assustada, ela recuou.

— Ela teve uma crise de ansiedade severa. Pode ter sido causada por estresse emocional agudo. Sabe se ela passou por algum trauma hoje?

Minha garganta secou. Pensei na nossa discussão.

— Não... — menti. — Mas ela tem estado abalada ultimamente.

A médica assentiu, compreensiva.

— Ela vai ficar bem, mas precisa de repouso. E, se possível, apoio emocional.

Apoio emocional…

Eu encostei na parede fria do hospital e deslizei até sentar no chão. Passei as mãos no rosto.

Apoio emocional.

Como eu, Khaled Rashid, um homem acostumado a ser temido, poderia oferecer isso?

Mas olhando para aquela sala onde ela estava deitada… eu soube.

— Caralho… — murmurei. — Como eu vou ficar sem essa mulher?

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