Narrado por Khaled
Quando abri a porta do quarto de hospital e vi Lara tão pálida, tão quebrada, deitada ali... um peso atravessou meu peito com força. Eu, Khaled Rashid, homem temido por todos, me senti impotente.
Aproximei-me devagar, sem querer assustá-la ainda mais. Meus passos pareciam pesados demais para aquele ambiente branco e silencioso.
Ela me viu. Virou o rosto. Mas não disse nada.
— Fui eu que fiz isso com você? — perguntei, com a voz mais baixa do que imaginei que conseguiria usar.
Ela continuou em silêncio. Algumas lágrimas escorreram pelo canto dos olhos. Isso me rasgou por dentro.
— Me desculpa — falei, respirando fundo, com dificuldade. — Eu não queria te deixar nesse estado. Mas... se não fui eu, então quem foi?
Ela virou devagar, com os olhos avermelhados.
— Eu liguei para o meu pai.
Fechei os olhos. Aquilo já me dizia muito.
— E?
— Ele disse que eu não fazia falta. Que ele nunca me amou. Que me culpa pela morte da minha mãe… — a voz dela falhou. — Disse que a melhor coisa que ele fez foi me vender. Que não me quer de volta. Nunca me quis.
O sangue subiu como um jorro dentro de mim. Me levantei, tirei o celular do bolso. Meu coração batia forte, não de amor, mas de ódio. Liguei direto para Alberto.
— Khaled? — atendeu, com a voz falsa de quem ainda achava que tínhamos alguma relação.
— Nossa parceria acabou — disse frio.
— O quê? Não estou entendendo…
— Eu não vou te dar mais nenhum centavo. E vou destruir a sua vida, a sua empresa e tudo que você construiu até agora.
— Espera aí, espera! Eu não fiz nada!
— Fez. Fez a minha mulher chorar.
— Eu... eu posso pedir desculpas! De joelhos, se for preciso!
— Você é tão insignificante que nem de joelhos você presta. E se você chegar perto da minha mulher, eu acabo com a sua vida. Entendeu? Porque eu posso fazer muito pior do que te deixar sem dinheiro.
— Nós temos um acordo! Eu te vendi minha filha!


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Vendida ao Sheik