Narrado por Khaled
Eu a vi atravessar as portas do hospital com o olhar ainda baixo, os passos lentos, o corpo mais frágil do que nunca. Lara era pequena naquele momento. Como se o mundo a tivesse esmagado e tudo que restasse fosse cansaço.
Segurei sua mão com firmeza e a levei até o carro. Em silêncio. Ela não soltou. E isso, pra mim, já era suficiente.
No caminho, ela manteve o rosto virado para a janela. Eu sabia que ela ainda estava tentando se recuperar daquilo tudo. E eu, por mais que tivesse o sangue fervendo de raiva do pai dela, me obriguei a respirar fundo e apenas... dirigir.
Quando entramos em casa, não a deixei fazer esforço algum. Peguei-a no colo.
— Khaled... — ela sussurrou, envergonhada. — Eu posso andar...
— Eu sei. Mas não quero.
Ela não discutiu.
Levei-a direto para o banheiro do quarto. Liguei o chuveiro, ajustei a temperatura, e voltei para ela.
— Tira a roupa. Eu vou te ajudar.
Ela hesitou. Ficou me olhando com aqueles olhos assustados.
— Eu só quero cuidar de você, Lara. Nada mais.
Ela baixou o olhar e obedeceu. Cada peça que caía revelava não só seu corpo, mas a vulnerabilidade que ela tentava esconder. Eu entrei com ela no boxe, ainda de bermuda, e comecei a lavar seu corpo com delicadeza. Passei o sabonete por suas costas, braços, pernas... sem pressa. Como se pudesse tirar, com minhas mãos, toda a dor que ela carregava.
Depois do banho, sentei-a na penteadeira. Peguei a toalha e comecei a secar o cabelo dela com cuidado. Os fios escorriam entre meus dedos como seda morna.
— Ainda tá com dor de cabeça? — perguntei.
Ela negou com a cabeça.
— Só... cansada.
— Vamos comer alguma coisa.
Desci até a cozinha. Apontei para a empregada:
— Prepare algo leve. Sopa, pão, frutas, chá de camomila. E traga rápido.
Levei tudo no carrinho e servi eu mesmo no quarto. Ela estava sentada na cama, abraçando um travesseiro. Seus olhos encontraram os meus e ela sorriu de leve, cansada.
— Você é sempre assim...? — ela perguntou.
— Assim como?
— Cuidando de tudo.
— De quem me importa, sim.
Coloquei a bandeja sobre a cama. Ela começou a comer devagar, sem dizer muito. Eu me sentei ao lado e, com o controle, liguei a TV.
— O que vai assistir? — ela perguntou.
— Harry Potter.

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