Narrado por Khaled
Eu sabia que elas viriam.
Desde o momento em que tirei tudo do pai delas — dinheiro, parceria, status — era uma questão de tempo até aquelas duas cobrarem a conta. Elas não sabiam viver sem luxo. Sem vantagens. Sem sugar.
Estava sentado no hall principal, lendo um relatório, quando um dos seguranças se aproximou com a voz baixa:
— Senhor Khaled… duas mulheres estão no portão. Nathalia e Bianca.
Fechei o arquivo devagar, ergui o olhar e sorri de canto.
— Mandem entrar.
Me levantei e caminhei até o centro da sala. Apoiei as mãos nos bolsos e fiquei esperando. Não demorou muito até escutar os saltos batendo no mármore.
E então elas entraram.
Bianca veio primeiro. Usava um vestido branco justo demais, o tipo de roupa que grita “olhe pra mim”. Nathalia estava com um salto tão alto que mal andava, mas não perdia o sorriso cínico.
— Senhor Khaled — Bianca começou, com um falso tom doce. — Esperamos que o senhor nos perdoe por virmos sem avisar. Viemos apenas… ver nossa irmã.
— Queremos conversar com ela — completou Nathalia. — Não concordamos com o que nosso pai fez.
Fiquei em silêncio por alguns segundos. Deixei elas saborearem o próprio teatro. E então… gargalhei. Alto. Seco. Frio.
As duas se entreolharam, claramente perdendo o controle.
— Vocês acham que eu sou idiota? — perguntei. — Que isso aqui é um palco e eu sou o espectador do drama barato de vocês?
— Não é isso… — Bianca tentou.
Eu avancei um passo, a voz baixa, perigosa:
— Vocês duas... querem morrer?
O silêncio engoliu o ambiente. Bianca ficou imóvel. Nathalia, por outro lado, sorriu — e não um sorriso nervoso. Um sorriso provocador.
— Claro que não, Khaled… — ela murmurou. — A última coisa que queremos é causar algum problema. Muito pelo contrário…
Ela caminhou lentamente até mim, como se desfilasse. E então, sem nenhum pudor, passou os dedos pelo meu peito, subindo até meu ombro.
— Você é ainda mais bonito de perto… sabia? — sussurrou, inclinando o corpo, deixando o perfume forte invadir o ar. — Deve ser solitário ser tão poderoso...
Ela deslizou os dedos pela minha nuca.
Foi a última coisa que fez.
Minha mão estalou contra o rosto dela com força.
O tapa ecoou alto. Ela cambaleou dois passos para o lado, segurando a bochecha, assustada.
— Eu nunca, nunca, traí minha esposa. E não vai ser com lixo feito você que isso vai acontecer.
Bianca engasgou com o ar.
— Nós… só queríamos conversar com a Lara!
— Nesse momento, vocês não vão conversar com ninguém — respondi, o tom seco como lâmina.
— Isso é injusto! — Bianca rebateu.
— Cala a boca. — cortei. — Aqui, quem fala sou eu.
As duas ficaram imóveis.
— Saiam da minha casa — apontei com o queixo. — Antes que eu me arrependa de ter deixado vocês entrarem.
Viraram-se, ainda sem entender o choque que acabaram de levar. Caminharam em direção à saída como duas bonecas de vidro quebradas.


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