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Vendida ao Sheik romance Capítulo 38

Narrado por Khaled

Lara virou de costas para as irmãs como se tivesse encerrado um ciclo inteiro. E de certa forma… ela tinha.

Ela caminhou lentamente pelas escadas, sem dizer uma palavra, e eu fui atrás, em silêncio. A força com que ela se manteve em pé diante delas me encheu de um orgulho estranho — um que queimava no peito.

Mas eu também sabia que não era fácil para ela. Não podia ser.

Quando entramos no quarto, ela foi direto para a varanda. Encostou os braços no parapeito e ficou ali, parada, olhando a cidade como se quisesse se perder entre os prédios. A brisa mexia os cabelos dela, mas ela nem se movia.

Fechei a porta devagar e caminhei até ela.

Esperei um instante, só observando.

Então, os ombros dela começaram a tremer.

Lara levou as mãos ao rosto, mas não conseguiu esconder.

A dor que ela não mostrou lá embaixo finalmente transbordava.

Aproximei-me em silêncio. Encostei no corpo dela e a envolvi por trás, passando os braços pela cintura fina, sentindo sua respiração falhar.

Encostei o rosto no pescoço dela e falei baixo:

— Você foi forte.

Ela não respondeu.

— Mas não precisa ser o tempo todo.

Ela respirou fundo. A voz saiu falhada:

— Eu… eu só queria que alguma parte deles… gostasse de mim. Só uma. Mas nem isso.

— Eu sei.

— Eu me esforcei tanto… a vida inteira. E tudo o que eu recebi foi rejeição. Primeiro do meu pai, depois das minhas irmãs. Era como se eu fosse um erro que não devia ter existido.

— Você nunca foi um erro, Lara.

Ela virou devagar e se aninhou no meu peito. O corpo tremia. As lágrimas desciam quentes, manchando minha camisa, mas eu não me importava. Cada lágrima que ela deixava sair parecia uma gota a menos de peso que ela carregava.

— Eles não me amam. Nunca vão amar.

— E você ainda se importa com isso?

Ela hesitou… e sussurrou:

— Ainda um pouco. Mas tá diminuindo.

Afastei um pouco o rosto dela com a ponta dos dedos.

— Então deixa morrer de vez. Esquece. Mata isso dentro de você. Porque não vale a pena manter viva a esperança em gente que só sabe usar.

Ela assentiu com a cabeça, mas eu sabia que ainda doía.

— E se um dia… você se cansar de mim também?

— Vão usar a única coisa que você sempre quis. Ser aceita.

Ela respirou fundo.

— Eu tô tentando matar isso.

— Eu sei. E eu vou te ajudar. Mas se você vacilar… eles vão se aproveitar.

— E se eles se fizerem de bonzinhos de novo?

— Eu vou tirar um por um da sua frente. Nem que seja à força.

Ela virou de lado, me encarando.

— Você faria isso mesmo?

— Já fiz. E faria mil vezes.

— Por quê?

— Porque agora você tem a mim.

Ela não respondeu. Mas o sorriso pequeno que surgiu no canto da boca dela foi tudo.

E naquele silêncio confortável, eu soube: ela finalmente estava entendendo. Ela não estava sozinha.

E nunca mais estaria.

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