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Vendida ao Sheik romance Capítulo 40

narrado por Natália

— A gente precisa de alguém dentro — falei, me levantando da cama com um brilho sombrio nos olhos. — Alguém que esteja perto dela. Que escute. Que veja. Que me diga cada passo que aquela desgraçada dá.

Bianca, sentada na poltrona perto da janela, cruzou os braços com cara de dúvida.

— Tipo quem? Os empregados adoram ela. O Khaled deve pagar todo mundo muito bem.

— Os empregados têm filhos. Têm dívidas. Têm medos. Todo mundo tem um ponto fraco, Bianca. E se não tiver, a gente inventa um.

Peguei o celular com raiva, deslizando o dedo pela tela até abrir o I*******m.

A busca foi rápida. Eu já sabia o que procurar: marcações, localização, nomes árabes em posts discretos. Bastava encontrar alguém burro o suficiente pra postar algo de dentro da mansão.

— Você tá ficando obcecada — Bianca comentou, meio assustada. — Isso tudo porque ele te deu um tapa?

Virei pra ela com o olhar gelado. Firme. Imperturbável.

— Não foi só o tapa, Bianca. Foi a humilhação. Foi a maneira como ele falou comigo, como se eu fosse uma prostituta de quinta categoria. Foi a forma como a Lara me olhou. Como se tivesse vencido. Como se fosse melhor do que a gente.

Me aproximei da janela e encarei o reflexo no vidro.

— Ela sempre foi a errada. Sempre foi a sombra. E agora acha que reina?

Sorriso. Frio. Cruel.

— Eu vou puxar ela pra lama. De salto agulha. E fazer questão de tirar uma selfie.

Bianca não disse nada. Ela já tinha me visto assim antes. Não adiantava tentar parar. Era como colocar a mão no fogo: só ia se queimar.

Foi quando encontrei o que queria.

Um perfil discreto. Nome simples: @ranyadxb. Uma postagem de três semanas atrás, mostrando parte de uma varanda de frente pro deserto. Na legenda, apenas: “Trabalho difícil, mas a vista compensa.”

Sorri como quem encontra ouro em meio ao lixo.

— Achei.

Bianca se aproximou, curiosa.

— Quem é?

— Ranya. Auxiliar de cozinha. Não é principal. Mas tá lá dentro. É com ela que a gente começa.

— E se ela não topar?

Virei o rosto lentamente, erguendo uma sobrancelha.

Ela me olhou por alguns segundos. Engoliu em seco.

— Você tá falando sério?

— Eu tô falando de tirar a Lara do caminho. De vez. Isso é o nosso futuro, Bianca. Você quer voltar pro Brasil e morar num apartamento mofado em Duque de Caxias? Quer dividir o banheiro com três tias velhas e viver de almoço congelado?

Ela me olhou, assustada. Eu me inclinei um pouco mais.

— Ou você quer estar de volta naquela cobertura em Ipanema, com o cartão preto na bolsa, entrando em todo restaurante sem precisar olhar o preço?

Bianca respirou fundo.

— Então cala essa boca e confia em mim. Se a Ranya colaborar, ótimo. Se não, a gente acha outra. E se a Lara não cair… a gente faz ela quebrar. Mas de um jeito ou de outro…

Suspirei com um sorriso venenoso.

— Ela vai cair. E quando cair, não vai ter mais ninguém pra segurar.

Bianca olhou pro celular e depois pra mim.

— Você é doente.

— Não. Eu só sou a filha que o papai deveria ter apostado. A diferença é que eu vou trazer tudo de volta. Nem que seja por cima do caixão da nossa irmãzinha.

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