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Vendida ao Sheik romance Capítulo 43

Narrado por Natália

Eu não estava preparada para ver o que vi naquela tela.

Por mais que eu soubesse o que esperar, por mais que eu tivesse me preparado mentalmente, nada me salvou da explosão de raiva, inveja e humilhação que senti quando vi aquela maldita festa.

Bianca estava sentada ao meu lado, com os olhos vidrados na televisão. A taça de vinho barata dela tremia na mão. Eu estava com a minha vazia, os dedos apertados em volta do vidro como se pudesse quebrá-lo apenas com o ódio que pulsava nas minhas veias.

“Direto de Dubai, no palácio particular de Khaled Rashid, acontece hoje a celebração do primeiro mês de casamento do magnata com sua esposa, Lara Rashid.”

A voz do repórter era animada, ridiculamente empolgada, como se estivesse anunciando a coroação de uma rainha.

E de certa forma... era isso mesmo que estava acontecendo.

As câmeras mostraram o palácio: iluminado como um sonho, cada detalhe reluzindo ouro e poder. Flores importadas da Holanda decoravam os jardins. Fontes brilhavam em tons de azul e dourado, acompanhadas de pequenas luzes flutuantes.

A entrada principal estava tomada por figuras da elite de Dubai. Mulheres cobertas de joias e vestidos de alta costura. Homens de ternos impecáveis, sapatos italianos polidos como espelhos.

E então, no topo da escadaria de mármore, ela surgiu.

Lara.

Minha irmãzinha insignificante.

A mancha da nossa família.

A filha que nunca deveria ter nascido.

E agora… ela era tratada como uma maldita princesa.

O vestido dourado abraçava o corpo dela como se tivesse sido feito para ela e para mais ninguém. Era puro luxo: tecido francês, bordado à mão, esmeraldas brilhando nos ombros delicados.

O cabelo, preso em um coque elaborado, deixava o rosto à mostra — e que droga, ela estava linda.

Bianca soltou um suspiro.

— Parece uma princesa...

Me virei com tanta violência que ela se calou imediatamente.

Princesa.

Essa palavra me doía nos ossos.

Eu deveria estar ali.

Eu deveria estar de braços dados com Khaled.

Eu deveria estar usando aquele vestido, sorrindo para aquelas câmeras.

Não ela.

Nunca ela.

Khaled apareceu logo em seguida.

Alto. Imponente. O olhar duro e protetor cravado em Lara como se ela fosse a joia mais rara do mundo.

Ele a segurava como se fosse propriedade dele. E pela primeira vez... parecia genuinamente orgulhoso disso.

— Isso deveria ser meu — sibilei, os dentes cerrados.

Bianca apenas encolheu no sofá.

O repórter continuava exaltando:

"Esta noite, Khaled Rashid celebra o amor e o compromisso com uma cerimônia privada e luxuosa, cercado apenas dos amigos mais próximos e de sua influente família."

A imagem cortou para o interior do salão.

Cristais. Ouro. Pratas. Lustres franceses cintilando como constelações.

Lara e Khaled dançavam no centro do salão, sob os olhos atentos dos convidados.

Ela sorria.

Sorria como se estivesse feliz. Como se pertencesse ali.

O salão inteiro aplaudiu.

Lara sorriu, emocionada.

E eu... eu senti ódio.

Ódio como nunca antes.

Enquanto todos brindavam, Khaled abriu uma pequena caixa de veludo e tirou de dentro dela um colar.

Não era um colar qualquer. Era uma peça única, com diamantes gigantes e uma pedra verde no centro.

Ele colocou a joia no pescoço de Lara, sob aplausos.

E ali, naquela imagem — a mulher, o vestido dourado, o marido perfeito, a joia milionária —, eu soube.

Lara tinha vencido.

E nós...

Nós tínhamos perdido.

Mas não para sempre.

Me virei para Bianca, o sangue pulsando nas veias como lava.

— Prepara as malas.

Ela arregalou os olhos.

— O quê?

— A gente vai dar um jeito de entrar de novo na vida dela. Nem que seja se fingindo de amigas, de irmãs arrependidas. Nem que a gente rasteje, sorria, chore. Vamos ganhar a confiança dela.

— E depois?

— Depois... — sorri, sombria — depois, a gente destrói tudo.

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