O final da tarde caía sobre Dubai como um véu dourado. A luz do sol atravessava as janelas do escritório de Khaled, refletindo nas paredes de mármore e nas molduras de ouro puro. Mas não havia calor ali dentro. O ar estava denso, pesado. A presença do pai de Khaled era como um manto de ferro sobre seus ombros.
Sentado na poltrona à frente da mesa, o velho Rashid — elegante em seu traje tradicional, o olhar impenetrável e postura impecável — encarava o filho com a severidade de quem carrega séculos de tradição nas costas.
— Um mês — disse o pai, com a voz grave, firme. — Já se passou um mês desde o casamento. E ainda não ouvi nenhuma notícia.
Khaled cruzou os braços, encostando-se na cadeira. Sabia onde aquilo ia parar. Já conhecia aquele tom. Já conhecia aquele olhar. Ainda assim, tentou manter o controle.
— Que tipo de notícia o senhor espera ouvir, pai?
O velho estreitou os olhos.
— A única que importa. Um herdeiro. O sangue da nossa linhagem. O futuro da nossa casa.
Khaled apertou os dentes. Respirou fundo. Tentou manter a calma.
— Ainda é cedo. Lara está se adaptando à nova vida. Não quero pressioná-la.
O pai franziu o cenho.
— Pressionar? Ela agora é uma Rashid. E Rashids não têm tempo para fragilidades. Você já foi paciente demais, Khaled. O casamento foi arranjado com um propósito.
— E eu cumpri o propósito. Casei. Trouxe uma esposa para dentro da nossa casa. Estou mantendo o nome da família intacto.
— O nome não sobrevive com alianças, Khaled. Sobrevive com sangue. Com descendência. Você sabe disso melhor do que ninguém.
Khaled se levantou, caminhando até a janela. Olhou para a cidade embaixo dele, os arranha-céus que ajudou a erguer, os projetos milionários que financiou, os contratos que fechou com mãos sujas e olhos frios.
Herdeiro.
A palavra pesava. E ele a odiava.
Não por si. Mas porque a ideia de gerar um filho com Lara o assustava mais do que ele queria admitir.
— Eu tenho tudo sob controle — respondeu, sem se virar.
— Não tem. — A voz do pai foi um trovão. — Você acha que engana quem, Khaled? Eu sou seu pai. Eu conheço seus silêncios. Conheço suas pausas. E eu conheço o medo nos seus olhos, mesmo quando você finge força.
Khaled se virou devagar. Encara aquele homem que o moldou com punhos de ferro desde que tinha dez anos de idade. Aquele que assistiu sem mover um músculo enquanto ele chorava na primeira punição. O mesmo que o obrigou a enterrar a própria inocência antes da adolescência.



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