Narrado por Lara
Eu estava no meu canto favorito do jardim, sentada sobre uma manta macia, cercada de almofadas e com um livro aberto sobre o colo, mas meus olhos não conseguiam se concentrar em nenhuma linha. O sol estava começando a se pôr, pintando o céu de tons alaranjados, e o ar estava morno, sereno, como se o mundo lá fora estivesse calmo… mas dentro de mim, havia sempre um leve desconforto que não desaparecia.
A mansão de Khaled era um lugar tão bonito quanto sufocante. Era como viver dentro de um palácio de cristal — lindo, impecável, mas com paredes invisíveis que me impediam de ser livre.
A calmaria da tarde foi interrompida pelo som dos passos dele se aproximando atrás de mim. Não precisei olhar. Eu já reconhecia o som das solas dos sapatos dele no chão. Era uma presença pesada, constante, impossível de ignorar.
— Posso me sentar? — ele perguntou, com a voz baixa.
Assenti, ainda sem encará-lo.
Ele se sentou ao meu lado, com a mesma elegância controlada de sempre. Não disse nada por alguns segundos. Apenas ficou me observando. Eu sentia seus olhos em mim, como fogo sobre minha pele.
— Está tudo bem? — arrisquei perguntar, mesmo sabendo que ele nunca dava respostas óbvias.
Ele fez um leve som com a garganta. Então falou, direto, do jeito Khaled de sempre:
— Eu marquei a cirurgia para daqui a três semanas.
Virei o rosto para ele, confusa.
— Cirurgia?
Ele me olhou nos olhos.
— Vou desfazer a vasectomia.
As palavras bateram em mim como uma pancada. Minha respiração travou por um segundo, e o mundo pareceu desacelerar. Eu fechei o livro devagar, tentando absorver o que ele acabara de dizer.
— Como é? — minha voz saiu mais alta do que eu queria.
Ele não piscou. Não se moveu.


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