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Vendida ao Sheik romance Capítulo 46

Narrado por Ranya

Era fim de tarde quando percebi o movimento estranho nos portões principais da mansão.

Eu estava no jardim lateral, recolhendo algumas louças da mesa externa, quando dois carros pretos, longos e espelhados demais para serem comuns, entraram lentamente no pátio interno. O motorista de Khaled desceu do primeiro, correu até a porta de trás e a abriu com uma reverência discreta.

E então ele apareceu.

O pai de Khaled.

Eu já tinha ouvido falar dele. Os seguranças sussurravam seu nome com mais medo do que respeito. Diziam que ele era o verdadeiro cérebro da família Rashid — um homem que usava a tradição como arma e o silêncio como sentença de morte.

Meu coração disparou só de vê-lo caminhando com aquele ar de realeza, as mãos cruzadas nas costas, o olhar rígido e inexpressivo.

Não era comum visitas como aquela. E eu sabia que algo importante estava para acontecer.

Como uma sombra, dei a volta pela lateral da mansão e entrei discretamente pela área de serviço. Subi as escadas dos fundos e parei no corredor que levava até o salão privado de Khaled.

As portas estavam semiabertas. E, como sempre, meu corpo foi mais ousado do que minha razão.

Aproximei-me devagar. Silenciosa. Treinada para desaparecer onde quisesse.

E foi ali, com a orelha próxima da madeira maciça, que ouvi as palavras que me fizeram gelar.

— Está na hora de você dar continuidade ao sangue Rashid, Khaled. Não adia mais o inevitável.

A voz era dura. Cortante. Inquestionável.

— Ainda é cedo — respondeu Khaled, com aquele tom sempre calmo, mas que eu já aprendi a identificar como tensão disfarçada.

— Não é cedo — retrucou o pai. — É tarde. Você é o único filho. Não temos sobras. Não temos reservas. Se você falhar, tudo isso morre com você.

Meu coração batia tão alto que eu mal conseguia ouvir as próximas palavras.

— Eu preciso que você engravide sua mulher. E que isso aconteça logo.

Engoli em seco. Levei a mão à boca. Quase deixei escapar um suspiro.

Khaled tentou argumentar. Alegou que Lara ainda estava se adaptando. Mas o pai dele não quis saber. Disse que o conselho já murmurava. Que as famílias vizinhas começavam a questionar. E que um Rashid sem herdeiro era um Rashid vulnerável.

Eu fiquei ali, parada, ouvindo tudo, até que as vozes começaram a se afastar e a porta foi fechada com um estrondo suave.

Voltei correndo para o alojamento. Cada passo ecoava nas paredes como uma contagem regressiva.

Entrei no meu quarto e tranquei a porta.

Sentei na cama, peguei o celular e respirei fundo.

Disquei.

Natália.

Ela atendeu no segundo toque.

— Fala. Tô esperando esse seu retorno há dias.

— Escuta — falei, com a voz ainda embargada. — O pai dele esteve aqui. Hoje. Há menos de uma hora.

CAPÍTULO 46 – O PESO DO SANGUE RASHID 1

CAPÍTULO 46 – O PESO DO SANGUE RASHID 2

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