Lara
O silêncio do quarto era confortável, mas meu peito estava uma bagunça. A mansão parecia respirar em outro ritmo, alheia ao turbilhão dentro de mim. Me encolhi no sofá junto à janela, com os joelhos abraçados e o olhar perdido na paisagem. O céu de Dubai já estava começando a mudar de tom, um dourado suave se espalhava pelas nuvens, como se a cidade inteira estivesse sendo embrulhada num véu de calor e beleza. E ali estava eu, perdida em um pensamento que me perseguia há dias: e se eu tiver um filho com Khaled?
Meus dedos acariciavam o tecido fino da camisola enquanto meus pensamentos giravam. A ideia surgiu desde o dia em que ele falou, com toda a segurança do mundo, que desfaria a vasectomia. Eu ri nervosa naquele momento, tentando escapar da conversa, mas desde então... não consigo mais parar de pensar nisso.
Um filho.
Um bebê com aqueles olhos escuros, com aquele ar de poder que o Khaled carrega até dormindo. Um bebê que talvez herdasse meu sorriso... ou minha covardia. Porque sim, eu sou covarde. Covarde por ainda estar aqui, mesmo depois de tudo. Covarde por ter medo de ir embora, e covarde por não conseguir ignorar o que sinto quando ele me chama de "habibti" e acaricia meu cabelo como se eu fosse a única coisa preciosa que ele tem.
Apertei os olhos com força.
Eu não fui feita para isso.
Eu não sei se quero ser mãe. Não sei se quero carregar o herdeiro de um homem que, por mais que me faça sentir coisas que nunca senti, ainda carrega sangue nas mãos. Um homem que comanda com um olhar e mata com um gesto. Um homem que é um enigma entre o monstro e o amante.
Mas... quando ele me abraça, quando cuida de mim, quando me protege... eu me esqueço do resto.
E é por isso que pensar num filho assusta tanto.
Porque talvez, talvez, eu me permita amá-lo demais. E isso, no nosso mundo, pode ser a sentença de morte.
Fechei os olhos e respirei fundo. Não havia barulho, só meu coração inquieto e o som distante da cidade pulsando além dos muros altos da propriedade.
Então a porta se abriu.
Meus ombros enrijeceram automaticamente, mas o cheiro dele chegou antes dos passos. Aquela mistura de almíscar, madeira e especiarias que me dizia, sem nenhuma palavra, que ele estava ali. Não precisava olhar. Eu sabia. Khaled.
— Habibti...
Sua voz estava mais suave do que de costume. Olhei devagar por cima do ombro e o vi parado ali, vestindo uma camisa branca levemente aberta no peito e uma calça preta de alfaiataria. Estava bonito. Impecável. Com aquele ar de homem que sempre tem o controle, mas que naquele instante... parecia quase gentil.

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