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Vendida ao Sheik romance Capítulo 48

Narrado por Khaled

Desde que me tornei o homem mais temido da minha família — e, talvez, de toda Dubai — aprendi que o perigo raramente vem vestido com sangue e faca. O perigo verdadeiro chega sorrindo. Servindo o chá. Dobrado no canto do quarto com um espanador na mão.

Ranya.

A mulher é discreta demais. Atenta demais. E embora tenha sido contratada para cuidar da limpeza da parte leste da mansão, ela vem aparecendo onde não deveria com uma frequência que me faz franzir a testa.

Hoje de manhã, saí mais cedo do quarto, deixando Lara ainda adormecida. Ela parecia exausta da noite anterior — e de tudo que tem enfrentado desde que chegou à minha vida. Queria que ela descansasse, então me vesti em silêncio e desci para a biblioteca.

Foi lá que vi Ranya.

Parada diante de uma estante que já fora limpa no dia anterior. Estava com o pano na mão, mas os olhos fixos na porta entreaberta que dava acesso ao meu escritório. Onde, por acaso, eu havia conversado ontem à noite com meu pai sobre um problema que resolvi da forma mais eficiente que conheço — eliminação.

— Ranya — chamei.

Ela se virou na hora, o rosto pálido, os olhos arregalados.

— Sim, senhor Khaled?

A voz saiu tremida. Típico de quem tem culpa.

Me aproximei devagar, com os passos medidos e o olhar firme. Parei a um palmo dela. Seus olhos não conseguiam sustentar os meus por mais de dois segundos.

— Não é sua área essa ala, é?

Ela engoliu seco.

— Não, senhor... Mas a dona Lara pediu para limpar os livros dela e eu... pensei que podia...

— Pensou errado — interrompi. — Volte para sua ala. Agora.

Ela saiu apressada, quase tropeçando nos próprios pés. Esperei ela sumir no corredor antes de virar para o lado e chamar:

— Youssef.

Ele surgiu das sombras como um fantasma. Sempre atento.

— Quero que você a siga. A Ranya. Discretamente. Descubra com quem ela fala, o que ela escuta e, principalmente, o que ela diz quando acha que ninguém está ouvindo.

Youssef não fez perguntas. Apenas assentiu.

— Considera feito.

Não foi a primeira vez que precisei observar um dos meus. Infelizmente, confiança é um luxo que eu não posso me permitir. E quando se tem o nome que eu tenho... o império que eu construí... a mulher que eu escolhi...

As irmãs.

Eu sabia que não tinha sido o fim. Aqueles vermes voltariam. E estavam tentando envenenar tudo de novo.

Desci para a sala. A luz do fim da tarde entrava pelas cortinas de linho branco. Chamei o chefe da segurança e mandei reforçar as câmeras internas. Cada corredor. Cada cômodo.

Se Ranya estava passando informações, eu queria escutar o que ela dizia.

Eu queria ver com os meus próprios olhos.

Ela vai escorregar.

E quando escorregar...

Eu mesmo vou decidir o castigo.

Não me importo se é mulher, velha, jovem ou chorando. Quando alguém pisa no meu nome — ou tenta ferir Lara — eu viro o inferno que eles nunca mais esquecem.

E juro por tudo o que tenho que se Natália e Bianca acham que podem brincar com a minha esposa...

Elas vão descobrir o que acontece com quem tenta tocar no que é meu.

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