Narrado por Khaled
Desde que me tornei o homem mais temido da minha família — e, talvez, de toda Dubai — aprendi que o perigo raramente vem vestido com sangue e faca. O perigo verdadeiro chega sorrindo. Servindo o chá. Dobrado no canto do quarto com um espanador na mão.
Ranya.
A mulher é discreta demais. Atenta demais. E embora tenha sido contratada para cuidar da limpeza da parte leste da mansão, ela vem aparecendo onde não deveria com uma frequência que me faz franzir a testa.
Hoje de manhã, saí mais cedo do quarto, deixando Lara ainda adormecida. Ela parecia exausta da noite anterior — e de tudo que tem enfrentado desde que chegou à minha vida. Queria que ela descansasse, então me vesti em silêncio e desci para a biblioteca.
Foi lá que vi Ranya.
Parada diante de uma estante que já fora limpa no dia anterior. Estava com o pano na mão, mas os olhos fixos na porta entreaberta que dava acesso ao meu escritório. Onde, por acaso, eu havia conversado ontem à noite com meu pai sobre um problema que resolvi da forma mais eficiente que conheço — eliminação.
— Ranya — chamei.
Ela se virou na hora, o rosto pálido, os olhos arregalados.
— Sim, senhor Khaled?
A voz saiu tremida. Típico de quem tem culpa.
Me aproximei devagar, com os passos medidos e o olhar firme. Parei a um palmo dela. Seus olhos não conseguiam sustentar os meus por mais de dois segundos.
— Não é sua área essa ala, é?
Ela engoliu seco.
— Não, senhor... Mas a dona Lara pediu para limpar os livros dela e eu... pensei que podia...
— Pensou errado — interrompi. — Volte para sua ala. Agora.
Ela saiu apressada, quase tropeçando nos próprios pés. Esperei ela sumir no corredor antes de virar para o lado e chamar:
— Youssef.
Ele surgiu das sombras como um fantasma. Sempre atento.
— Quero que você a siga. A Ranya. Discretamente. Descubra com quem ela fala, o que ela escuta e, principalmente, o que ela diz quando acha que ninguém está ouvindo.
Youssef não fez perguntas. Apenas assentiu.
— Considera feito.
Não foi a primeira vez que precisei observar um dos meus. Infelizmente, confiança é um luxo que eu não posso me permitir. E quando se tem o nome que eu tenho... o império que eu construí... a mulher que eu escolhi...



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