Narrado por Lara
O caminho de volta foi silencioso, mas não desconfortável. Eu estava recostada no banco do carro, sentindo ainda o perfume das dunas no meu cabelo, a memória das estrelas gravada na pele. Olhava de canto para Khaled enquanto ele dirigia. Ele parecia relaxado, com uma mão no volante e a outra entrelaçada à minha, como se não fosse permitir que o mundo nos separasse nem por um segundo.
Chegamos na mansão e tudo parecia calmo demais. A entrada estava iluminada suavemente, os empregados já recolhidos, as janelas fechadas como se o mundo inteiro tivesse parado para nos esperar.
Subimos sem pressa, lado a lado. Quando ele abriu a porta do nosso quarto, a primeira coisa que fez foi caminhar até o banheiro. Ouvi o som do chuveiro sendo ligado, o barulho da água batendo forte no piso de mármore. Me virei devagar, encarando minha imagem no espelho.
Ainda estava com o vestido dourado que usara no jantar. Os cabelos soltos, a maquiagem intacta. Mas meus olhos... meus olhos estavam mais vivos do que estiveram em muito tempo. Ele me olhou pelo reflexo do espelho e estendeu a mão para mim.
— Vem. — A voz saiu baixa, quase como uma prece.
Soltei o vestido devagar, sentindo o tecido deslizar pela minha pele. Senti o olhar dele me despindo mais do que as próprias mãos fariam. Fiquei só de calcinha e meias finas antes de tirá-las também, sem pressa. Ele me observava, imóvel, como se estivesse tentando gravar cada detalhe em silêncio.
Entrei no box.
A água quente caiu sobre meu corpo, e por um segundo, fechei os olhos. A sensação era libertadora. Khaled entrou logo depois, ficando atrás de mim. Senti suas mãos envolverem minha cintura, me puxando devagar para mais perto.
— Você está linda — ele murmurou, colando o corpo no meu.
— Você já disse isso três vezes hoje — respondi, rindo fraco, com a voz abafada pela água.
— E vou repetir sempre que achar necessário.
Ficamos assim, abraçados debaixo da água, por tempo demais. E eu não queria que aquilo acabasse.
Ele começou a ensaboar meu corpo com calma, sem pressa, como se estivesse fazendo uma oração com as mãos. Meus ombros, meus braços, minhas costas... cada toque era quase reverente. Como se estivesse me lavando dos traumas. Como se, naquele banho, pudesse apagar os últimos meses da minha vida e me dar um novo começo.
Quando virou meu corpo para frente, nossos olhos se encontraram. A respiração dele estava pesada. A minha, descompassada. Eu sabia o que aquele olhar significava.
Mas, ao invés de me beijar, ele falou:
— Você notou algo estranho na Ranya ultimamente?
A pergunta me pegou de surpresa. Franzi o cenho.
— Ranya? A empregada?
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