Nayla
Chegamos à casa de Adir, e ele foi direto para a cozinha preparar pipoca. Pediu a um dos homens da segurança que providenciasse pizza, porque deixei claro, assim que entrei, que estava com fome — algo absolutamente previsível. Enquanto isso, me joguei no sofá e comecei a procurar algo para assistir.
Queria colocar uma série romântica. Pensei em Bridgerton, mas ele descartou a ideia imediatamente, dizendo que não tinha paciência para histórias excessivamente sentimentais. Questionei se romantismo era algo tão absurdo assim, e ele respondeu que tudo precisava ter limites. Argumentei que a série mostrava diferentes formas de amor, mas ele permaneceu irredutível.
Adir definitivamente não era um homem romântico.
Acabei escolhendo outra coisa, algo que nem me interessava tanto, mas aceitei. Ele havia sido atencioso comigo mais cedo, então resolvi ceder daquela vez.
Pouco depois, a pizza chegou. Ele deixou as caixas sobre a mesa da sala enquanto eu permanecia estirada no sofá, confortável. Em seguida, foi tomar banho. Alguns minutos depois, desceu as escadas apenas com uma toalha presa ao quadril, o corpo ainda úmido, o cheiro do sabonete espalhando-se pelo ambiente.
Toda vez que eu o via assim, meu corpo reagia sem pedir permissão. Um arrepio percorria minha espinha inteira.
Eu precisava de autocontrole.
Adir:
— Diga-me que escolheu algo menos romântico para assistirmos. Não sou fã de televisão.
Nayla:
— Adir, permita-me ser clara: sou a convidada. Isso significa que devo ser tratada como tal. Se eu decidir assistir à série mais romântica possível, você deve aceitar. Está tentando me conquistar, então precisa entender que, em relacionamentos, às vezes o controle remoto muda de mãos. Se eu decidir assistir a Wandinha, assistiremos a Wandinha. Ou vai dizer que também não gosta da Família Addams?
Ele arqueou a sobrancelha.
Adir:
— Quem disse que não tive infância?
Nayla:
— Você não gosta de nada. Nunca vi alguém assim. Diga-me ao menos algo que gostava de assistir quando era criança.
Ele se sentou ao meu lado, pensativo por um instante.
Adir:
— Eu gostava de histórias intensas. Narrativas onde os heróis não eram perfeitos e onde a linha entre certo e errado nem sempre era clara.
Ri, incrédula.
Adir se levantou imediatamente, pegando a arma que repousava sobre a mesa lateral e apontando para a porta. Segundos depois, Zayd entrou apressado, levantando as mãos em sinal de alerta.
Adir:
— Entrar assim na minha casa só acontece quando algo grave ocorreu. Fale.
Zayd:
— Amir foi baleado.
Senti o chão desaparecer sob meus pés.
Nayla:
— O Amir?
Não esperei resposta. Meu corpo reagiu antes da razão. Saí correndo, o coração disparado, com uma única certeza ecoando na mente:
algo muito grave havia acabado de começar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Vendida ao Sheik