Amir
Passei na casa de Bruna para buscá-la e levá-la para conhecer melhor a região onde agora estava morando. Caminhamos bastante pelas ruas, conversamos e observamos o movimento das pessoas. Em determinado momento, paramos em uma pequena praça para tomar sorvete. Foi ali que ela começou a falar mais sobre a própria vida.
Ouvi em silêncio. Confesso que senti algo próximo da compaixão. A história dela tinha semelhanças dolorosas com a minha. O pai de Bruna também havia sido morto durante uma operação policial — um disparo direto na cabeça. Depois disso, ela ficou completamente sozinha no mundo, vulnerável, perdida… e acabou se envolvendo com aquele homem que destruiu a vida dela.
Eu, ao menos, tive Nayla.
Minha irmã podia ser rígida, exigente, às vezes dura demais comigo, mas sempre me protegeu da forma que conseguiu.
Bruna:
— Sua irmã parece ser uma mulher extraordinária, pelo que você descreve.
Amir:
— Nayla é a pessoa mais forte que eu conheço. Quando vieram nos avisar que nossos pais tinham morrido, eu desabei. Chorei como uma criança. Ela me abraçou sem derramar uma única lágrima e disse que tudo ficaria bem. Depois, descobri que ela chorava escondida, sozinha, para que eu não a visse fraca.
Fiz uma pausa antes de continuar.
— Pouco tempo depois, ela disse que eu deveria estudar e que ela iria trabalhar. E trabalhou… não sei quantos empregos teve. Servia em cafés, atendia em restaurantes, limpava casas, fazia qualquer coisa que aparecesse. Tenho orgulho dela. Mesmo quando escolhi o caminho errado, ela nunca me abandonou.
Bruna abaixou o olhar.
Bruna:
— Eu queria ter tido alguém assim. Um irmão, uma irmã. Fiquei completamente sozinha… e fiz escolhas ruins.
Amir:
— Agora você tem uma nova oportunidade. Se decidiu manter esse bebê, pode construir algo diferente. A vida que cresce dentro de você exige isso. Eu sei que não sou o melhor exemplo, mas uma criança precisa de alguém forte. E você pode ser essa pessoa.
Ela respirou fundo.
Bruna:
— Espero que meu filho se orgulhe de mim. Mas preciso trabalhar. O dinheiro que aquele homem me deu para interromper a gravidez não vai durar, e eu preciso me sustentar.
Amir:
— Vou falar com Adir. Talvez exista algo que você possa fazer aqui, algo seguro. Não prometo nada, mas vou tentar.
Bruna:
— Obrigada. Você está sendo muito bom comigo.
Voltamos para a casa dela. Sentamo-nos na sala. Ela preparou pipoca, colocou um filme para assistir. Conversávamos distraidamente quando, em um impulso inesperado, acabamos nos beijando.
Foi então que a porta foi arrombada.
O impacto do barulho me fez levantar imediatamente. Dawud entrou com os olhos frios e o olhar duro. Reconheci-o na mesma hora.
Amir:
— Você enlouqueceu? Invadindo a casa de uma moradora dessa forma?
Dawud:
— O que você está fazendo aqui? Você não deveria estar aqui… muito menos com essa mulher.
Ele sacou a arma.
Fiz o mesmo.
Ficamos nos encarando por longos segundos.
Amir:
— Abaixe essa arma. Ainda dá tempo de sair.
Dawud:
— Você não deveria estar aqui. Minha ordem era simples: eliminar essa mulher e deixar a região imediatamente.
Bruna começou a tremer.
Bruna:
— Me matar? Eu não fiz nada. Não sei quem você é.
Dawud:
— Farid quer você morta. Ele pagou muito bem por isso.
Meu sangue ferveu.
Amir:
— Vá embora agora. Se sair, ninguém saberá do que tentou fazer.
Ele sorriu, um sorriso vazio.
Dawud:



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