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Vendida ao Sheik romance Capítulo 58

Narrado por Ranya

Fui jogada dentro da sala com brutalidade. A porta foi trancada atrás de mim sem uma palavra. O clique metálico do cadeado ecoou na minha espinha como um aviso do destino: você cruzou a linha, e agora vai pagar.

A sala era fria. Sem janelas. Sem móveis além de uma cadeira e uma pequena mesa de vidro no centro. As paredes, de concreto cru, tinham uma acústica silenciosa que dava a impressão de que tudo que eu pensasse podia ser escutado.

Eu me encolhi no canto. Meu peito subia e descia como se faltasse ar. Passei a mão pelos cabelos e tentei controlar o tremor das mãos, mas era inútil.

Khaled me viu. Ele me flagrou. Ele sabia.

E o olhar dele… não era de decepção.

Era de sentença.

Eu fiquei ali, sentada no chão, por horas. O tempo parecia ter congelado. As luzes da sala nem piscavam. Nenhuma sombra se movia além da minha. E foi aí que começou o verdadeiro castigo: o silêncio. O abandono.

Não houve gritos. Não houve ameaças.

Apenas o peso do arrependimento crescendo dentro de mim como uma doença.

Comecei a me lembrar das conversas com Natália.

“Você vai entrar e sair como um fantasma. Ele nem vai notar.”

“Só queremos saber o que ele esconde. Nada demais.”

“E quando a gente conseguir tudo, vamos sumir com Lara da vida dele.”

Elas achavam que estavam jogando um jogo.

Mas o que eu vi nos olhos de Khaled não era um jogo. Era guerra.

E eu... eu estava no campo errado.

A porta se abriu.

Dei um pulo.

— Fica calada. Isso não é interrogatório. Isso é só um aviso.

Ele se aproximou e inclinou o corpo sobre mim.

— Ele te deu a chance de existir sob o teto dele. De comer, dormir, trabalhar com dignidade. Você escolheu cuspir na cara disso.

— Elas me prometeram... me disseram que eu podia sair daqui rica...

— E vai sair. — ele rosnou. — Vendida. No mercado. Com sorte, viva.

Ele se afastou, mas antes de sair, virou de lado e disse:

— Reza. Muito. Porque a última pessoa que tentou enganar Khaled está enterrada num buraco no deserto com a boca costurada.

E então, ele me deixou sozinha outra vez.

E o silêncio... voltou a devorar o que restava de mim.

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