Narrado por Ranya
Fui jogada dentro da sala com brutalidade. A porta foi trancada atrás de mim sem uma palavra. O clique metálico do cadeado ecoou na minha espinha como um aviso do destino: você cruzou a linha, e agora vai pagar.
A sala era fria. Sem janelas. Sem móveis além de uma cadeira e uma pequena mesa de vidro no centro. As paredes, de concreto cru, tinham uma acústica silenciosa que dava a impressão de que tudo que eu pensasse podia ser escutado.
Eu me encolhi no canto. Meu peito subia e descia como se faltasse ar. Passei a mão pelos cabelos e tentei controlar o tremor das mãos, mas era inútil.
Khaled me viu. Ele me flagrou. Ele sabia.
E o olhar dele… não era de decepção.
Era de sentença.
Eu fiquei ali, sentada no chão, por horas. O tempo parecia ter congelado. As luzes da sala nem piscavam. Nenhuma sombra se movia além da minha. E foi aí que começou o verdadeiro castigo: o silêncio. O abandono.
Não houve gritos. Não houve ameaças.
Apenas o peso do arrependimento crescendo dentro de mim como uma doença.
Comecei a me lembrar das conversas com Natália.
“Você vai entrar e sair como um fantasma. Ele nem vai notar.”
“Só queremos saber o que ele esconde. Nada demais.”
“E quando a gente conseguir tudo, vamos sumir com Lara da vida dele.”
Elas achavam que estavam jogando um jogo.
Mas o que eu vi nos olhos de Khaled não era um jogo. Era guerra.
E eu... eu estava no campo errado.
A porta se abriu.
Dei um pulo.

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