Narrado por Khaled
Confiança é algo que não dou duas vezes.
Quem trai a minha confiança não tem segunda chance. Não há perdão. Só consequência.
Sentei na penumbra do meu escritório, girando lentamente o copo de cristal entre os dedos. O ar estava carregado, o silêncio denso. A cidade ainda se iluminava pelas janelas, mas eu só conseguia pensar numa coisa: Lara. A forma como ela desceu as escadas implorando que eu poupasse Ranya. O tremor na voz. As lágrimas nos olhos.
Ela não sabia, mas eu já estava monitorando as duas responsáveis por aquilo muito antes da visita dela ao hotel.
Eu sabia que as irmãs dela estavam em Dubai. Sabia que haviam usado Ranya como peça. Sabia que Bianca tentou se jogar sobre mim como uma cadela no cio, e que Natália não passava de uma serpente vestida de seda.
Mas eu esperei.
Esperei o momento certo.
E ele veio.
Quando Hadi me enviou o áudio da conversa no quarto de hotel, ouvi tudo. Com calma. Sem pressa. As palavras cortavam mais do que punhais.
“Você nunca fez parte, Lara. Você era o lembrete vivo de que a nossa mãe morreu.”
“Você era a filha que o papai queria apagar.”
“Casada com um sheik. Rica. Importante. A filha rejeitada virou herdeira. Que conveniente, né?”
“Que mais teria pra ver em você? Carinho fraterno?”
Fechei o punho. Trincando os dentes.
Essa não era apenas uma traição. Era uma tentativa descarada de destruir o pouco de paz que Lara estava começando a construir.
Ela passou a vida inteira sendo rejeitada, ignorada, machucada psicologicamente. E agora que finalmente estava vivendo com dignidade, sendo amada, valorizada… elas vinham até aqui pra repetir o ciclo?
Não sob o meu teto.
Não com meu nome.
E, definitivamente, não com minha mulher.
Levantei-me, peguei o celular e disquei direto para Youssef.
— Ainda estão no hotel?
— Sim, senhor. Estão no lounge agora. Tranquilas.
— Ótimo. Manda os homens agir. Discrição absoluta. Eu quero elas fora de Dubai até amanhã.
— Destino?
— Bashir.
Silêncio do outro lado da linha.
— Khaled... isso é definitivo?
— Isso é proteção. — falei com frieza. — Elas querem brincar de manipular a irmã como se fosse uma boneca de trapos. Agora vão saber o que é serem manipuladas como mercadoria.
— E se Lara descobrir?
— Ela não vai.
E mesmo que descubra… vai entender. Um dia.
Mas eu? Eu via o demônio de vestido.
O telefone tocou de novo meia hora depois.
— Estão no carro. Sedadas. Passaportes forjados. Vão sair como cidadãs albanesas. Bashir já confirmou recebimento.
— Ele vai saber tratá-las como merecem.
— Sim, senhor. E quer que envie registro da entrega?
— Não. — falei. — Não quero ver mais nada sobre essas duas. Enterre o nome delas. Elas não existem mais.
Desliguei.
Fiquei ali.
Sozinho.
E então fui até o quarto.
Lara dormia. Enrolada nos lençóis. Uma mecha de cabelo caía sobre os lábios. A respiração leve.
Toquei o rosto dela devagar. E sussurrei:
— Agora você está limpa, habibti. Livre do passado. E, se depender de mim... ninguém nunca mais vai te machucar.
Me deitei ao lado dela.
E pela primeira vez em muito tempo... dormi em paz.

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