Narrado por Khaled
A primeira coisa que percebi quando entrei em casa foi o silêncio.
Não aquele silêncio comum de um dia calmo, mas sim o tipo de silêncio carregado — como o ar antes de uma tempestade. Como se a casa soubesse o que eu ainda não sabia, mas estava prestes a descobrir.
Samira passou por mim no corredor, os olhos abaixados demais. Isso já era um alerta.
— Samira. — chamei.
Ela congelou.
— Sim, senhor?
— Você viu minha esposa?
— No quarto, senhor.
Agradeci com um aceno e subi.
Quando abri a porta, vi Lara sentada no chão do closet. As mãos tremiam. Os olhos estavam vermelhos. O caderno aberto ao lado. A expressão dela...
Era como olhar para o precipício.
Fechei a porta atrás de mim.
— Lara...
Ela não respondeu.
Caminhei até ela devagar, como quem se aproxima de um animal ferido. Porque era isso que ela parecia: ferida. Perdida.
— Eu sei. — ela sussurrou, ainda sem olhar pra mim.
— Sabe o quê?
— Vi nas câmeras. Vi o registro. Samira me confirmou. Você apagou elas.
Soltei um suspiro. Fui até a poltrona. Sentei.
— Elas iam te destruir. Planejavam usar tudo contra você. Contra nós.
Ela levantou a cabeça.
— E você achou que sumir com elas era a melhor solução?
— Não. — minha voz saiu firme. — Eu achei que era a única.
Me virei.
— Você pode me odiar. Pode chorar. Pode gritar. Mas o que você não pode... é se colocar em perigo. Eu sou seu marido. Seu guardião. E seu limite.
Ela ficou em silêncio por alguns segundos. Depois se levantou. Passou por mim devagar. Antes de sair do quarto, disse com a voz embargada:
— Você não sabe amar, Khaled.
Fiquei sozinho.
Mas dentro de mim, uma verdade se formava com clareza:
Talvez ela estivesse certa.
Mas o que ela ainda não entendia...
É que eu podia não saber amar como os outros.
Mas era capaz de matar, morrer, e queimar o mundo inteiro por ela.
E isso... nunca foi amor comum.

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