Narrado por Khaled
A primeira coisa que percebi quando entrei em casa foi o silêncio.
Não aquele silêncio comum de um dia calmo, mas sim o tipo de silêncio carregado — como o ar antes de uma tempestade. Como se a casa soubesse o que eu ainda não sabia, mas estava prestes a descobrir.
Samira passou por mim no corredor, os olhos abaixados demais. Isso já era um alerta.
— Samira. — chamei.
Ela congelou.
— Sim, senhor?
— Você viu minha esposa?
— No quarto, senhor.
Agradeci com um aceno e subi.
Quando abri a porta, vi Lara sentada no chão do closet. As mãos tremiam. Os olhos estavam vermelhos. O caderno aberto ao lado. A expressão dela...
Era como olhar para o precipício.
Fechei a porta atrás de mim.
— Lara...
Ela não respondeu.
Caminhei até ela devagar, como quem se aproxima de um animal ferido. Porque era isso que ela parecia: ferida. Perdida.
— Eu sei. — ela sussurrou, ainda sem olhar pra mim.
— Sabe o quê?
— Vi nas câmeras. Vi o registro. Samira me confirmou. Você apagou elas.
Soltei um suspiro. Fui até a poltrona. Sentei.
— Elas iam te destruir. Planejavam usar tudo contra você. Contra nós.
Ela levantou a cabeça.
— E você achou que sumir com elas era a melhor solução?
— Não. — minha voz saiu firme. — Eu achei que era a única.


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