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Vendida ao Sheik romance Capítulo 70

Narrado por Khaled

O nome dela me assombra até quando estou em silêncio.

Lara.

Ela está entranhada nos meus ossos. A pele dela, o cheiro, o jeito como morde os lábios quando está desconfiada. O som da voz, mesmo quando está gritando comigo. Eu absorvi cada detalhe dessa mulher como quem memoriza um segredo precioso, que precisa ser guardado a qualquer custo.

Hoje era dia de selar isso de vez.

Entrei na clínica particular por uma entrada lateral, longe dos olhos curiosos. A segurança cuidou da parte de fora, como sempre. Mas lá dentro, era só eu. Eu e o peso da decisão que, até pouco tempo atrás, eu jamais cogitaria tomar.

Desfazer a vasectomia.

O médico era o melhor do Oriente Médio. Discreto. Eficiente. Não fazia perguntas demais. Só o necessário.

— Senhor Rashid — disse ele, enquanto ajeitava os instrumentos de aço —, é mesmo isso que deseja?

Olhei direto nos olhos dele.

— Eu nunca desejei tanto nada na vida.

Ele não respondeu. Apenas assentiu com respeito e me pediu que deitasse na maca.

Enquanto ele preparava tudo, minha mente viajou. E pela primeira vez em muito tempo, senti medo.

Medo de mim mesmo.

Porque se você me dissesse, um ano atrás, que eu estaria deitado numa clínica voluntariamente para reverter algo que me impedia de ter filhos, eu teria te matado com um sorriso nos lábios. Eu não acreditava em herança, em paternidade, em dar continuidade ao que eu sou.

Sempre acreditei que minha linhagem deveria morrer comigo.

Até ela.

Lara chegou como um furacão disfarçado de brisa. Silenciosa. Insegura. Mas com os olhos mais profundos que já vi. No começo, foi só o desejo de tê-la. De possuí-la. De dobrar a mulher que me olhava como se eu fosse um monstro — e talvez eu fosse.

Mas quanto mais ela resistia, mais eu queria.

E quanto mais eu queria, mais ela me mudava.

No início, achei que ela seria como as outras. Um jogo, uma distração. Uma mulher bonita e frágil que acabaria obedecendo. Mas Lara... Lara me enxerga. Ela vê as rachaduras. E, ao invés de fugir, ela fica.

Fica mesmo com medo.

Mesmo quando eu a expulso.

Mesmo quando eu ameaço.

Mesmo quando eu falo que ninguém mais a terá.

E é por isso que agora estou aqui.

A reversão da vasectomia.

O médico já havia explicado: não era uma garantia. O sucesso dependeria da regeneração, do tempo, da força do corpo. Mas eu sou um homem que transforma incertezas em certeza.

Eu ia engravidá-la.

E não por acaso.

Eu quero um filho dela.

Quero algo que leve o sangue dela. Que respire o perfume dela. Que tenha seus olhos. Seus lábios. A doçura que ela tenta esconder com teimosia.

E mais que isso — quero ver ela crescer dentro dela.

Ver Lara carregar uma criança minha vai ser mais do que paternidade. Vai ser território marcado. Vai ser a prova de que ela é minha de todas as formas.

Talvez soe possessivo.

E é.

CAPÍTULO — UM LEGADO DE SANGUE 1

CAPÍTULO — UM LEGADO DE SANGUE 2

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