Narrado por Lara
Ele entrou no quarto com aquele andar calmo demais.
A porta se fechou devagar. Eu estava sentada no tapete, de frente para a varanda, com as pernas cruzadas e um livro aberto no colo — mas eu não estava lendo. Fazia mais de vinte minutos que meus olhos percorriam as mesmas linhas sem absorver nada.
Meu corpo sabia que algo vinha.
Khaled se aproximou, tirou o paletó e jogou sobre a poltrona. Sentou-se na beirada da cama. Me observou em silêncio por alguns segundos. O silêncio dele era o tipo que cortava. Que dizia mais que qualquer grito.
Respirei fundo.
— Você está estranho. — murmurei.
— Eu tomei uma decisão hoje. — ele respondeu. A voz dele estava neutra. Baixa. Quase... gentil.
Fechei o livro devagar, tentando manter a calma.
— Que tipo de decisão?
Ele apoiou os cotovelos nos joelhos e me encarou como se pesasse as palavras.
— Eu fui à clínica.
— Clínica?
— Para reverter a vasectomia.
Silêncio.
As palavras bateram em mim como um tapa gelado. Por um momento, eu achei que tinha escutado errado. Mas Khaled não dizia nada por acaso. Ele nunca escolhia mal suas frases.
— Você… o quê?
— Eu quero um filho com você, Lara.
Me levantei devagar. O coração batia descompassado.
— E você simplesmente... decidiu isso?
— Sim.
— Sem me perguntar?
Ele se levantou também.
— Eu não preciso da sua permissão para desejar algo. Mas eu quis te contar antes de tudo. Eu não vou te forçar. Mas quero que saiba que… essa decisão foi minha. Pela primeira vez na vida, eu escolhi ter um herdeiro. E escolhi que seria com você.
Sentei na beira da cama, desnorteada. Passei as mãos no rosto.
Queria sumir.
Mas ao mesmo tempo… uma parte de mim se aqueceu com aquela possibilidade.
Um bebê.
Um bebê com os olhos de Khaled.
Um bebê nascendo de um amor que começou com medo.
— Você me assusta. — confessei. — Mas… também me confunde. E é por isso que ainda estou aqui.
Ele me puxou com delicadeza para o colo dele. Me envolveu com os braços como se eu fosse feita de vidro.
— Eu só sei cuidar de um jeito, Lara. O meu. E o meu jeito... é intenso demais. Mas tudo o que faço por você, por mais que pareça possessivo, tem um único objetivo: te manter viva. Te manter minha.
Encostei a cabeça no ombro dele.
E deixei as lágrimas caírem.
Porque no fundo, mesmo que eu odiasse admitir…
Parte de mim queria esse bebê também.

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