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Vendida ao Sheik romance Capítulo 74

Narrado por Lara

O relógio marcava 3h12 da manhã.

Eu não conseguia dormir.

A mansão estava silenciosa. O tipo de silêncio que grita dentro da gente. Que amplifica os pensamentos e faz tudo parecer mais sombrio do que realmente é. A luz da lua se infiltrava pelas cortinas do quarto como um sussurro maldito, me lembrando que, mesmo cercada de luxo, eu continuava uma prisioneira de escolhas que nunca fiz.

Me sentei na cama com cuidado.

As pontas dos dedos frias tocaram meu ventre ainda vazio. A lembrança da médica, da conversa com Khaled, da ideia de gerar um herdeiro… tudo parecia uma avalanche prestes a me soterrar.

Eu queria fugir.

Mas também queria entender.

O coração apertava entre o amor e o medo. Entre o desejo de pertencer a ele… e o pavor de ser apenas mais uma peça do império que ele queria construir sobre mim.

Levantei.

Andei pelo corredor devagar, descalça, sentindo o mármore frio sob meus pés. Meus passos ecoavam como pecados. Me aproximei da porta do quarto dele. Estava entreaberta. A luz baixa da luminária de canto me dizia que ele ainda estava acordado.

Empurrei com cuidado.

Ele estava ali.

Sentado na poltrona perto da lareira, apenas de calça, com um copo de whisky na mão. Os olhos fixos na chama como se queimasse dentro dele tudo que não ousava falar.

Ele não se surpreendeu ao me ver.

Só virou o rosto lentamente.

— Não consegue dormir? — perguntou com a voz baixa, rouca, carregada de insônia e intenções.

Assenti.

— Posso…?

— Sempre. — ele respondeu.

Entrei e me sentei na beira da cama. O ar parecia mais denso ali dentro. A presença dele mexia com meu corpo de um jeito que eu odiava admitir. Ele era bonito demais. Intenso demais. E por isso mesmo… perigoso demais.

Fiquei em silêncio por alguns segundos. Até que criei coragem.

— Você mudaria por mim?

Khaled piscou devagar. Depois levantou. Veio até mim e se agachou, ficando com o rosto na altura do meu.

— Por você… eu já mudei mais do que por qualquer pessoa.

— Não é o bastante.

— Eu sei. — ele disse, sem desviar o olhar. — Mas é o que eu consigo oferecer agora.

— E se eu te pedisse para parar com tudo? Para deixar esse mundo de poder, sangue, domínio? Para ser só um homem... não um rei?

Ele sorriu. Mas não foi um sorriso feliz.

Foi um sorriso triste. Quase dolorido.

Ele sorriu, e dessa vez, foi sincero.

— Então será a princesa mais perigosa do Oriente Médio.

Rimos juntos. Um riso pequeno. Cúmplice. Mas cheio de rachaduras.

Ficamos ali, deitados na cama depois. Ele me puxou para perto e passou os dedos pelo meu cabelo.

— Me promete uma coisa? — murmurei.

— O que quiser.

— Que, se um dia eu quiser ir embora… você não vai me prender.

O silêncio que veio foi pesado. Doeu.

Ele respirou fundo. Apertou minha cintura com mais força.

— Eu posso te prometer que vou fazer de tudo para você nunca querer ir.

Fechei os olhos.

Porque era só isso que ele podia me dar.

E, por enquanto…

Era tudo que eu ainda conseguia aceitar.

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