Narrado por Lara
Dormi abraçada a ele, mas acordei sozinha.
Ou pelo menos... achei que tinha dormido.
A verdade é que a noite passou por mim como um sussurro venenoso. Meu corpo estava ali, mas minha mente viajava por um labirinto de imagens que não pareciam sonhos — pareciam mensagens.
Estava tudo muito nítido.
No sonho, eu caminhava por um corredor imenso, com paredes de pedra escura e velas acesas nas laterais. Meus pés descalços tocavam um chão frio, quase congelado. O som dos passos ecoava, e cada batida era como o som de um coração pesado, prestes a parar.
Eu usava um vestido longo e vermelho, o mesmo tecido que usei na noite da cerimônia de casamento com Khaled. Mas ele estava manchado de sangue. Não um sangue recente — um sangue seco, escuro, que parecia vir de dentro.
Minhas mãos estavam sobre o ventre. Inchado. Vivo. Eu sabia, no sonho, que carregava um bebê.
Ao fim do corredor, uma porta dourada girava lentamente sozinha, rangendo. Atrás dela, um salão vazio. No centro, um trono gigantesco — de ferro e couro escuro. E nele... nada.
Nada além da ausência.
Mas o que doía mesmo era o som.
Um choro.
Forte. Desesperado.
Debruçado no chão, diante do trono, havia um bebê. Pequeno. Nu. Frágil. Chorava com tanta força que o som cortava meus ouvidos. Tentei correr até ele, mas não conseguia. Meus pés estavam presos, como se a terra me segurasse.
Olhei para trás, pedindo ajuda, e vi uma figura. Alta. De olhos negros. Era Khaled.
Mas ele não se mexia.
Só me olhava.
E então, uma voz ecoou por todo o salão, grave, fria, cruel:
"Quem nasce para ser herdeiro não precisa de amor. Precisa de propósito."
Tentei gritar. Tentei estender os braços. Mas tudo começou a girar.
O trono desabou em fogo. O bebê sumiu.
E eu caí.
Acordei com um grito preso na garganta, coberta de suor, o coração disparado.
Por alguns segundos, fiquei ali, sentada, sem respirar. Olhei em volta, tentando entender se estava de volta ao meu quarto. Tudo parecia em silêncio. A única coisa que ouvia era o pulsar desesperado do meu peito.
Foi quando notei.
O lençol estava úmido.
Não de suor.
Havia sangue.
Meus dedos tremiam quando puxei a parte de baixo da camisola. Desci correndo da cama, ofegante, e fui até o banheiro. Acendi a luz. O sangue escorria, tímido, mas estava ali. Como um lembrete de tudo o que eu temia.
Abaixei a cabeça entre os joelhos e tentei respirar.
Uma parte de mim gritava que era só uma antecipação do ciclo. Outra sussurrava que talvez... fosse o corpo avisando que ele já começava a se preparar. Ou pior — que algo já havia começado, mesmo sem eu saber.
Toquei o ventre.
Vazio.
Mas o medo era real.
A frustração era real.
Voltei para o quarto devagar. Khaled não estava ali. E talvez fosse melhor assim. Não sei se conseguiria encarar o olhar dele naquele momento. Porque parte de mim queria que ele visse. Que ele sentisse a dor comigo.
Mas a outra... queria esconder tudo.


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