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Vendida ao Sheik romance Capítulo 75

Narrado por Lara

Dormi abraçada a ele, mas acordei sozinha.

Ou pelo menos... achei que tinha dormido.

A verdade é que a noite passou por mim como um sussurro venenoso. Meu corpo estava ali, mas minha mente viajava por um labirinto de imagens que não pareciam sonhos — pareciam mensagens.

Estava tudo muito nítido.

No sonho, eu caminhava por um corredor imenso, com paredes de pedra escura e velas acesas nas laterais. Meus pés descalços tocavam um chão frio, quase congelado. O som dos passos ecoava, e cada batida era como o som de um coração pesado, prestes a parar.

Eu usava um vestido longo e vermelho, o mesmo tecido que usei na noite da cerimônia de casamento com Khaled. Mas ele estava manchado de sangue. Não um sangue recente — um sangue seco, escuro, que parecia vir de dentro.

Minhas mãos estavam sobre o ventre. Inchado. Vivo. Eu sabia, no sonho, que carregava um bebê.

Ao fim do corredor, uma porta dourada girava lentamente sozinha, rangendo. Atrás dela, um salão vazio. No centro, um trono gigantesco — de ferro e couro escuro. E nele... nada.

Nada além da ausência.

Mas o que doía mesmo era o som.

Um choro.

Forte. Desesperado.

Debruçado no chão, diante do trono, havia um bebê. Pequeno. Nu. Frágil. Chorava com tanta força que o som cortava meus ouvidos. Tentei correr até ele, mas não conseguia. Meus pés estavam presos, como se a terra me segurasse.

Olhei para trás, pedindo ajuda, e vi uma figura. Alta. De olhos negros. Era Khaled.

Mas ele não se mexia.

Só me olhava.

E então, uma voz ecoou por todo o salão, grave, fria, cruel:

"Quem nasce para ser herdeiro não precisa de amor. Precisa de propósito."

Tentei gritar. Tentei estender os braços. Mas tudo começou a girar.

O trono desabou em fogo. O bebê sumiu.

E eu caí.

Acordei com um grito preso na garganta, coberta de suor, o coração disparado.

Por alguns segundos, fiquei ali, sentada, sem respirar. Olhei em volta, tentando entender se estava de volta ao meu quarto. Tudo parecia em silêncio. A única coisa que ouvia era o pulsar desesperado do meu peito.

Foi quando notei.

O lençol estava úmido.

Não de suor.

Havia sangue.

Meus dedos tremiam quando puxei a parte de baixo da camisola. Desci correndo da cama, ofegante, e fui até o banheiro. Acendi a luz. O sangue escorria, tímido, mas estava ali. Como um lembrete de tudo o que eu temia.

Abaixei a cabeça entre os joelhos e tentei respirar.

Uma parte de mim gritava que era só uma antecipação do ciclo. Outra sussurrava que talvez... fosse o corpo avisando que ele já começava a se preparar. Ou pior — que algo já havia começado, mesmo sem eu saber.

Toquei o ventre.

Vazio.

Mas o medo era real.

A frustração era real.

Voltei para o quarto devagar. Khaled não estava ali. E talvez fosse melhor assim. Não sei se conseguiria encarar o olhar dele naquele momento. Porque parte de mim queria que ele visse. Que ele sentisse a dor comigo.

Mas a outra... queria esconder tudo.

— Está tudo bem? — perguntou, imediatamente.

— Tive um pesadelo. — respondi, com a voz fraca.

Ele se aproximou. Tocou meu rosto. Eu quis recuar, mas não consegui.

— Me conta.

Respirei fundo.

— Sonhei com um bebê. Chorando. Sozinho. Num trono vazio.

Ele não falou nada por alguns segundos.

Depois respondeu:

— Talvez seja você mesma.

Arregalei os olhos.

— Como assim?

— Você é a criança no sonho. Gritando por afeto que nunca veio. Tentando ocupar um trono que não te deixaram sentar.

— E você acha que vai ser diferente agora?

— Comigo... sim. Porque eu não deixo tronos vazios.

Ele me envolveu com força.

E eu... deixei.

Porque às vezes, até o abraço de um monstro...

É tudo o que a gente tem.

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