Narrado por Khaled
Ela não entende. Ainda não.
Mas vai entender.
Amor, para homens como eu, não se prova com flores.
Não com promessas vazias.
Amor se prova com o que se sangra.
E o que se marca para nunca mais ser apagado.
Foi por isso que hoje, enquanto ela dormia, eu dei início à cerimônia.
Não uma comemoração qualquer. Não um jantar.
Mas um pacto.
Na minha cultura, os mais antigos sabiam o valor de uma união selada com sangue. Não era apenas casamento. Era domínio espiritual. Era nome, honra, território. Era deixar claro para os vivos e para os mortos que aquela mulher agora pertencia à minha linhagem — e que nada mais poderia quebrar isso.
Chamei apenas os que me são leais desde o nascimento.
Meus três homens de confiança.
Um ancião da minha família, cego, mas sábio.
E uma curandeira das montanhas do norte — velha, silenciosa, com olhos que enxergam além da carne.
Montei tudo no jardim da ala leste.
Velas negras.
Pétalas escarlate no chão.
Tecido dourado pendendo dos pilares.
E, no centro, o altar.
Uma mesa de madeira antiga.
Talhada com runas que só minha família conhece.
O mesmo altar usado quando meu avô selou a linhagem com minha avó — a única mulher que ele nunca traiu, nunca puniu, porque ela fez dele um lobo.
E é isso que Lara faz comigo.
Por volta das nove da noite, mandei Samira chamá-la.
Pedi que ela vestisse o traje que deixei sobre a cama:
Um vestido vermelho-sangue, sem bordados, sem joias.
Apenas um cinto dourado marcando sua cintura.
Os pés descalços.
O cabelo solto.
Nada entre ela e o mundo — além da pele.
Ela desceu sem saber o que estava por vir.
Os olhos assustados, como sempre que eu a tiro da zona de conforto.
Mas ela veio.
Porque apesar do medo… ela sempre vem.
— O que é isso? — ela perguntou.
Ofereci minha mão. Ela hesitou, depois aceitou.
— Um ritual antigo da minha linhagem — respondi. — Preciso que confie em mim.
— Khaled… — ela sussurrou. — Você está me assustando.
— Ótimo. — segurei seu queixo com firmeza. — Porque o medo mantém a alma desperta.


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