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Vendida ao Sheik romance Capítulo 77

Narrado por Lara

O que aconteceu naquela noite ficou gravado no meu corpo.

Não pela dor do corte na mão, mas pelo que aquilo simbolizava.

Khaled selou algo em mim. Algo invisível e profundo. Algo que não era só amor. Era possessão.

E naquela manhã, mesmo com o sol se infiltrando pelas janelas do nosso quarto dourado, tudo parecia denso. Silencioso demais. Como se a casa soubesse.

Khaled saiu cedo. Disse que teria reuniões com ministros e investidores. Me beijou na testa e pediu que eu descansasse.

Mas eu não consegui.

Desde que pisamos naquela mansão, algo dentro de mim dizia que existia mais. Muito mais do que ele mostrava. Mais do que o luxo, os empregados bem treinados, as paredes impecavelmente decoradas.

Havia histórias escondidas.

E naquela manhã, eu decidi encontrá-las.

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A ala leste da casa era pouco usada. Um longo corredor com quadros antigos, portas de madeira pesada e janelas com cortinas grossas que impediam a entrada do sol. Ninguém ia até ali. Nem os empregados.

Foi uma das portas, a mais distante, que chamou minha atenção. Estava encostada, como se tivesse sido esquecida. Empurrei devagar. Um leve rangido me fez gelar. Entrei.

A poeira pairava no ar como se aquele espaço tivesse sido selado no tempo.

Era uma biblioteca.

Mas não como a da sala de estar, onde Khaled às vezes lia enquanto eu ficava em silêncio ao lado dele. Essa era diferente. Escura, abafada, cheia de estantes antigas com livros de capa de couro e manuscritos encadernados. O cheiro de papel velho e madeira impregnava o ar.

Comecei a andar pelos corredores estreitos entre as estantes.

Na parede do fundo, entre duas estantes empurradas uma contra a outra, vi uma pequena abertura.

Um baú.

De couro escuro, com detalhes entalhados. Quase invisível para quem não olhasse com atenção.

Meu coração acelerou.

Me ajoelhei. Passei a mão pela tampa. Estava coberta de pó. Com algum esforço, abri.

Dentro havia dezenas de envelopes. Nenhum com nome. Todos com a mesma caligrafia — feminina, fluída, triste.

Parei. O corpo travou. Parte de mim queria fechar aquela caixa. Voltar para o quarto. Fingir que nunca tinha visto nada.

Mas a outra parte...

A parte que não dormia à noite, que tremia ao pensar no que estava me tornando…

Essa parte me obrigou a pegar a primeira carta.

> "Hoje ele me olhou diferente.

Não com carinho.

Com cálculo."

> "Quando fiz a pergunta errada, ele não gritou. Só se levantou e saiu.

E naquela hora, entendi que o silêncio dele dói mais do que qualquer tapa."

A carta tremia na minha mão.

Peguei a segunda.

> "Ele não gosta de ser contrariado.

Mas gosta de ver você com medo.

A maneira como sorri quando percebe que está no controle…

Assusta mais do que qualquer ameaça."

Minhas mãos suavam.

Me sentei no chão. Comecei a ler uma por uma, devagar, engolindo o choro.

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