Narrado por Lara
Vestir aquele vestido foi como colocar uma armadura.
Khaled havia me pedido — não, ordenado — para estar pronta às sete da noite. Ele não disse aonde iríamos, só deixou sobre a cama uma das peças mais luxuosas que já toquei. Um vestido dourado, bordado à mão com pedrarias discretas que cintilavam como fogo sob qualquer luz. Longo, elegante, sem decote, mas colado ao corpo o suficiente para deixar claro a quem eu pertencia.
Enquanto Samira me ajudava a me arrumar, tentei manter a respiração controlada.
— Você está linda, senhora. — ela disse, puxando meu cabelo em um coque firme.
— Parece que estou indo para um altar.
Ela riu. Mas eu não estava brincando.
Quando Khaled entrou no quarto pronto, vestindo um terno preto com detalhes dourados nos punhos, ele me olhou como um rei que finalmente viu a rainha que mandaria ao campo de batalha — não para lutar, mas para representar.
— Perfeita. — foi tudo que disse.
E então saímos.
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O carro atravessou as avenidas iluminadas de Dubai com elegância silenciosa. Khaled não falou nada por alguns minutos, só segurou minha mão com força, como se quisesse me lembrar que eu era dele. E só dele.
— Para onde vamos? — perguntei, tentando soar casual.
— Um evento com amigos de negócios. — respondeu. — Diplomatas. Investidores. Homens de poder.
— E eu? O que eu sou nesse cenário?
Ele me olhou de lado.
— Você é a mulher que carrega o meu futuro. É o suficiente.
Olhei pela janela. A cidade era um espetáculo de luzes e concreto, mas nada apagava o peso daquelas palavras.
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Chegamos a um dos salões mais luxuosos que eu já vi. Lustres de cristal pendiam como constelações sobre nossas cabeças. Tapetes persas estendidos até os limites do espaço, mesas com talheres de ouro e arranjos florais que pareciam ter saído de uma pintura renascentista.
Pessoas importantes estavam por toda parte.
Homens engravatados. Mulheres cobertas por vestidos de seda e véus finos.
Todos pararam quando entramos.
A sensação foi a mesma de estar num palco sem ensaio.
Khaled caminhava com autoridade. Seus olhos miravam longe, e todos os olhares vinham em nossa direção.
Ele me apresentou a um grupo de homens árabes — sérios, imponentes, alguns com trajes tradicionais. Falavam entre si em árabe, e depois me olhavam com curiosidade e respeito.
— Esta é Lara Rashid — Khaled disse, alto e firme. — Minha esposa. E a futura mãe do meu herdeiro.
Meu coração falhou uma batida.
Futura mãe.
Aquela era a primeira vez que ele dizia isso em público.
Aquelas palavras eram um decreto.
Sorrisos se abriram. Alguns cumprimentos vieram. Uma mulher mais velha me abraçou e desejou bênçãos de fertilidade. Um homem me disse que esperava que nosso filho fosse “tão forte quanto o pai”.
Aos poucos, entendi.
Eu não era só esposa.
Era símbolo.
Era território.
Eu era o ventre que sustentaria a próxima geração de um império silencioso.
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Horas depois, entre brindes e discursos, Khaled se aproximou de mim com uma taça na mão. Seu olhar estava brilhante, mas havia algo mais ali. Um orgulho que beirava a obsessão.
— Está aguentando bem? — ele perguntou.
Assenti. Sorri por educação.
— Você não precisa fingir. Eu sei que isso é difícil para você.
— É mais do que difícil. — respondi. — É sufocante.


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