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Vendida ao Sheik romance Capítulo 82

Rafaela

Acordei com uma leve dor de cabeça no quarto silencioso do hospital. O ar-condicionado mantinha a temperatura baixa demais, e o cheiro de antisséptico era forte. Uma médica estava ao meu lado, ajustando o soro preso ao meu braço. Ela me observava com atenção, séria, profissional.

— Vou chamar sua mãe — disse, em tom calmo.

Assenti com a cabeça. Eu não tinha forças para falar.

Alguns minutos depois, a porta se abriu e Miriã entrou. Seu rosto estava fechado, mas não havia raiva ali. Havia preocupação. Ela se aproximou devagar e se sentou na cadeira ao meu lado, apoiando a bolsa no colo.

Ficamos alguns segundos em silêncio, nos encarando.

Miriã:

— Precisamos conversar. É um assunto sério.

Meu coração acelerou.

Rafaela:

— O que aconteceu?

Ela respirou fundo antes de responder.

Miriã:

— Você está grávida daquele homem.

O mundo pareceu parar.

Rafaela:

— O quê…?

Miriã:

— Rafaela, eu te avisei. Mais de uma vez.

— Mas não vou repetir discursos agora. Essa criança é o menor dos seus prejuízos.

Ela segurou minha mão com firmeza.

Miriã:

— Você poderia estar morta neste momento se a esposa dele fosse uma mulher desequilibrada. Você se envolveu com um homem poderoso, casado, cercado de influência. Isso não é brincadeira.

Engoli em seco.

Miriã:

— O que mais me dói é ver a história se repetir.

— Eu lutei muito para te criar sozinha. Seu pai foi embora quando soube da gravidez. Não quis assumir nada.

— Eu precisei sair da minha casa, recomeçar em outro país, trabalhar até a exaustão. Eu não tinha apoio, não tinha rede, não tinha tempo para sonhar.

Minha visão ficou turva.

Miriã:

— Eu pensei que sua história seria diferente. Você estudou, trabalhou, se esforçou. Eu acreditei que você teria escolhas melhores do que as minhas.

Ela respirou fundo, contendo o choro.

Miriã:

— Não estou dizendo que sua vida acabou. Mas agora você precisa tomar uma posição.

— Ser mãe solteira não é heroísmo. É sobrevivência.

— As pessoas me chamam de forte, mas ninguém viu as noites em que eu precisei escolher entre comer ou garantir que você tivesse leite.

As lágrimas começaram a cair.

Miriã:

— Eu juro por Deus, Rafaela…

— Se você voltar para aquele homem, eu nunca mais olho para você.

— Agora que a esposa dele o deixou, ele vai tentar te usar como apoio, como refúgio emocional. Mas você não é abrigo de ninguém.

Ela tocou meu rosto com carinho.

Miriã:

— Se ele quisesse, teria assumido você antes.

— Você não é alguém para viver de restos deixados por outra mulher.

— Eu criei uma mulher. Não criei alguém para ser usada, descartada ou humilhada.

Eu chorava em silêncio.

Miriã:

— Agora isso não é mais só sobre você.

— É sobre a vida que cresce dentro de você.

— E tudo o que vem junto com ela.

Ela me abraçou forte.

Miriã:

— Vai ficar tudo bem. Eu estou aqui.

E, pela primeira vez desde que acordei, eu acreditei.

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